O governo do Irã, por meio de seu embaixador na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir-Saeid Iravani, afirmou nesta quarta-feira (22) que os Estados Unidos precisam cessar a “violação do cessar-fogo” e suspender o bloqueio naval imposto ao país. Essa condição é imposta para qualquer nova rodada de negociações visando encerrar o conflito no Oriente Médio. A declaração surge após os EUA prorrogarem o cessar-fogo de duas semanas.
O que aconteceu
- O Irã condiciona novas negociações de paz com os Estados Unidos ao fim da “violação do cessar-fogo” e à suspensão do bloqueio naval.
- A declaração foi feita pelo embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, que sugeriu Islamabad, no Paquistão, como local para futuras conversas.
- Os EUA prorrogaram o cessar-fogo unilateralmente, mas Teerã se recusa a negociar enquanto as restrições aos seus portos, especialmente no Estreito de Ormuz, persistirem.
A declaração de Iravani foi concedida em entrevista ao veículo Shargh, informação repercutida pela Al Jazeera. O diplomata iraniano reiterou que uma nova rodada de conversas poderá ser realizada em Islamabad, capital do Paquistão, desde que as imposições americanas sejam suspensas.
“O Irã está pronto para qualquer cenário. Não iniciamos a agressão militar. Se eles buscarem uma solução política, estamos prontos. Mas, se buscarem a guerra, o Irã também está pronto para isso”, declarou Iravani, ressaltando a postura iraniana.
A prorrogação do cessar-fogo e o impasse diplomático
Na terça-feira (21), o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por prazo indeterminado o cessar-fogo de duas semanas com o Irã. A medida, que terminaria nesta quarta-feira, foi tomada diante do impasse nas negociações entre os dois países, anteriormente agendadas para Islamabad.
Delegações de ambos os países deveriam se reunir nesta quarta-feira (22), mas Teerã decidiu não enviar representantes. A recusa se mantém enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos, considerado uma forma de hostilidade, permanecer em vigor.
Estreito de Ormuz: por que é crucial?
Segundo declaração divulgada pela agência Tasnim News Agency, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, a continuidade do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos equivale à manutenção das hostilidades. Por essa razão, o Estreito de Ormuz não será reaberto enquanto a medida persistir, conforme a postura iraniana.
*Com informações da ANSA