Irã mantém Estreito de Ormuz fechado a 3 dias do fim da trégua com EUA

A trégua de duas semanas anunciada há alguns dias por Trump chegará ao fim na quarta-feira (22)

Navios petroleiros passam pelo Estreito de Ormuz 21 de dezembro de 2018
Navio petroleiros no Estreito de Ormuz, em imagem de arquivo Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed

O estratégico Estreito de Ormuz permanece fechado neste domingo, 19, pelo Irã, em retaliação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. A medida acontece a apenas três dias do fim da trégua estabelecida entre os dois países em guerra, reacendendo tensões em um conflito que já abalou a economia mundial.

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Embora o presidente Donald Trump tenha voltado a falar no sábado de “conversas muito boas” com o Irã, a versão que chega do lado iraniano é, mais uma vez, muito diferente. O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que representou Teerã no diálogo com Washington no Paquistão, afirmou que os países “registraram avanços”, mas que um acordo final “continua distante”.

O que aconteceu

  • O fechamento do estratégico Estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação ao bloqueio americano, acirra as tensões.
  • Após mais de um mês de embates, o anúncio de sexta-feira sobre a reabertura do corredor marítimo havia impulsionado os mercados financeiros, provocando uma queda expressiva nos preços do petróleo
  • O Líbano se torna outro foco de conflito, com ataques a capacetes azuis da ONU e advertências de Israel sobre o Hezbollah.

No sábado, poucas horas após a reabertura, o Irã anunciou a retomada do “controle rigoroso” de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do fluxo global de hidrocarbonetos. Pouco depois do anúncio, pelo menos três navios comerciais que tentavam atravessar o estreito foram alvos de disparos.

“Qualquer tentativa de aproximação do Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo e o navio infrator será tomado como alvo”, advertiu a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação iraniana como uma tentativa de “chantagear” seu país.

Negociações diplomáticas estagnadas?

O endurecimento das posições acontece enquanto continuam os esforços diplomáticos para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio. Busca-se um acordo maior que o cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, iniciado em 8 de abril e que se encerra em breve. Uma primeira rodada de diálogos entre Estados Unidos e Irã, em 12 de abril no Paquistão, terminou sem acordo.

Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava “muito próximo” e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, outro ponto-chave das negociações. O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de material físsil. “A parte americana tuita muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, como vocês sabem, contraditório”, disse o vice-chanceler iraniano, Saed Khatibzadeh.

Enquanto isso, as manobras diplomáticas continuam. Durante uma viagem ao Irã, o comandante do Exército do Paquistão, mediador entre Washington e Teerã, entregou às autoridades iranianas “novas propostas” americanas, afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. “A República Islâmica do Irã está analisando as propostas e ainda não respondeu”, acrescentou.

Líbano e o novo front de tensões regionais

No Líbano, outro front da guerra, o Exército de Israel anunciou no sábado que estabeleceu uma “linha amarela” de demarcação no sul do país. O Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de dez quilômetros de profundidade a partir da fronteira, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948.

Por ora, um cessar-fogo vigora entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos e um milhão de deslocados no Líbano. No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no sábado que um soldado francês morreu e outros três ficaram feridos em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano. Tanto Macron quanto a missão da ONU apontaram o Hezbollah, que negou envolvimento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou de modo veemente a ação contra a missão de paz. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país “ainda não terminou” o trabalho de conseguir o desarmamento do Hezbollah. Trump endureceu o tom e deixou claro a Israel que, a partir de agora, está “proibido” bombardear o Líbano.