Irã faz vídeo em Lego para ‘guerra de propaganda’ contra EUA e Israel

TEERÃ, 10 MAR (ANSA) – Enquanto responde com mísseis e drones aos ataques de Estados Unidos e Israel, o Irã intensificou uma nova frente de batalha: a guerra de propaganda. O regime iraniano divulgou um vídeo de animação em estilo Lego, repleto de simbolismo, para culpar o Ocidente pela escalada da violência no Oriente Médio e pelas mortes de crianças inocentes.   

A produção, com cerca de dois minutos de duração e sem diálogos, foi inicialmente exibida na TV estatal, mas rapidamente se espalhou como pólvora nas redes sociais, acumulando dezenas de milhares de curtidas e compartilhamentos.   

O formato indica uma clara estratégia de Teerã para atingir uma audiência global em um momento em que o conflito agita os mercados de energia e acirra a divisão de opiniões na comunidade internacional.   

O vídeo começa com figuras de Lego representando o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, além de uma figura demoníaca. O trio observa um álbum intitulado “Arquivos Epstein” ? uma referência às controvérsias envolvendo o falecido financista pedófilo Jeffrey Epstein, antigo amigo de Trump.   

Enfurecido, o boneco do presidente dos EUA aperta um botão vermelho; na sequência, um míssil é lançado e atinge o que parece ser uma sala de aula, em referência às mais de 160 mortes em um colégio para meninas em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia da guerra.   

Na cena, bonecas com véus cor-de-rosa ouviam atentamente uma professora sorridente, que escrevia no quadro negro a frase: “Minha pátria é a minha vida”. A tela escurece.   

Quando a luz retorna, a animação mostra um cenário de devastação: entre os escombros do ataque, jazem uma mochila rosa e um par de sapatos. Um boneco que representa um funcionário iraniano recolhe os pertences e chora, mas rapidamente sua tristeza se transforma em revolta.   

Ao som de uma trilha sonora nacionalista, o vídeo exibe a Guarda Revolucionária lançando ataques retaliatórios contra alvos americanos e israelenses em toda a região. A mensagem final afirma que a produção foi realizada “em memória das estudantes de Minab, martirizadas por obra de terroristas sionistas e americanos”. (ANSA).