ROMA, 8 MAR (ANSA) – O Irã anunciou neste domingo (8) que definiu um sucessor para o líder supremo Ali Khamenei, morto em um bombardeio de Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, no início da guerra contra o país.
De acordo com a agência de notícias Mehr, um consenso majoritário sobre o sucessor foi “praticamente alcançado” por membros da Assembleia de Peritos, o órgão responsável por eleger a liderança máxima da República Islâmica.
A informação foi confirmada posteriormente pelo aiatolá Mohammadmehdi Mirbaqeri, membro do conselho, embora a identidade do candidato ainda não tenha sido divulgada oficialmente.
Outro membro do órgão, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, disse que o “candidato mais adequado”, aprovado pela maioria da Assembleia de Peritos, foi identificado e segue uma orientação atribuída ao próprio Khamenei: o novo líder deveria ser alguém “odiado pelo inimigo”.
Segundo ele, “até o Grande Satã ? os Estados Unidos ? mencionou seu nome”.
A declaração alimentou especulações de que o favorito seja Mojtaba Khamenei, filho do atual líder supremo e figura influente nos bastidores do regime iraniano. Dias atrás, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a possível escolha como “inaceitável”.
Mirbaqeri também confirmou, em vídeo transmitido pela agência Fars, que “uma opinião firme que reflete a posição da maioria foi alcançada”.
Enquanto as discussões internas iranianas avançam, as tensões regionais aumentaram após um comunicado das Forças de Defesa de Israel (IDF).
Em uma mensagem publicada na rede social X, o Exército israelense afirmou que continuará perseguindo qualquer sucessor de Khamenei.
“Após a eliminação do tirano Khamenei, o regime terrorista iraniano está tentando se reorganizar e escolher um novo Líder Supremo”, diz a mensagem. “O longo braço do Estado de Israel continuará a processar seu sucessor e qualquer um que tente indicá-lo.” A postagem ainda advertiu que pessoas que participarem da reunião de seleção do novo líder também poderão ser alvo de ataques, segundo reportagens da BBC e da CNN.
Até o momento, autoridades iranianas não confirmaram oficialmente o nome do candidato escolhido nem comentaram diretamente as declarações israelenses.
Nos últimos dias, o conflito chegou a atingir diretamente a estrutura política do regime. Na terça-feira (3), o Exército israelense bombardeou um prédio ligado à Assembleia de Peritos na cidade de Qom, no sul do Irã.
Em meio à ofensiva, o Irã afirmou hoje ser capaz de lutar por pelo menos mais seis meses contra os Estados Unidos e Israel, em uma guerra que já dura nove dias.
“As forças armadas da República Islâmica do Irã são capazes de continuar por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações”, declarou Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, citado pela agência de notícias Fars. (ANSA).