Irã envia contraproposta a plano de paz dos EUA para o Oriente Médio

Teerã exige fim definitivo do conflito e revogação de sanções; Washington classifica avanço como "insuficiente"

Irã envia contraproposta a plano de paz dos EUA para o Oriente Médio

Nesta segunda-feira, 6, o Irã enviou ao Paquistão uma contraproposta formal ao plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos, visando interromper o conflito no Oriente Médio. A iniciativa, embora considerada um “grande passo” pelo presidente Donald Trump, foi julgada insuficiente para pôr fim às tensões na região.

+ Irã teria enviado resposta aos EUA sobre plano de paz

+ Irã rejeita plano proposto pelos EUA para encerrar a guerra, diz meio estatal

+ Irã chama proposta dos EUA de “excessiva e irracional”; Trump ameaça “tomar” petróleo

O que aconteceu

  • O Irã enviou uma contraproposta de paz aos EUA via Paquistão para encerrar o conflito no Oriente Médio.
  • A proposta iraniana de 10 pontos descarta um cessar-fogo temporário e exige o fim definitivo da guerra e sanções.
  • O presidente Donald Trump classificou a iniciativa como “um passo significativo, mas ainda não é o bastante”.

Segundo a agência de notícias oficial Irna, a contraproposta do Irã detalha 10 itens, rejeitando um cessar-fogo temporário e enfatizando a “necessidade de um fim definitivo” do conflito. Teerã também exige um protocolo para a passagem segura de navios no crucial Estreito de Ormuz, bem como ressarcimentos pelos danos sofridos e a revogação de todas as sanções impostas ao país.

Em coletiva de imprensa em Washington, o presidente Donald Trump reiterou que, embora seja “um passo significativo”, a contraproposta iraniana “ainda não é o bastante”. O mandatário americano afirmou que “a guerra pode acabar rapidamente se eles fizerem algumas coisas”, sinalizando que espera mais concessões de Teerã.

Trump admitiu ainda que os Estados Unidos enviaram armas para manifestantes no Irã com o objetivo de derrubar o regime vigente na República Islâmica, que já dura quase 50 anos. Contudo, os equipamentos acabaram “nas mãos de outros grupos”, conforme declarado pelo presidente.

Qual a posição iraniana?

Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, havia categorizado a proposta original de 15 pontos do governo Trump como “não aceitável de nenhuma maneira”. Segundo Baghaei, as negociações de paz seriam “incompatíveis com ultimatos e ameaças de cometer crimes de guerra”, refletindo a postura firme de Teerã.

O plano americano, por sua vez, previa um cessar-fogo temporário para viabilizar as tratativas, exigindo de Teerã o compromisso de não desenvolver armas nucleares e a desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow. Adicionalmente, o plano demandava o encerramento do financiamento a grupos aliados no Oriente Médio, a limitação do programa de mísseis balísticos e a liberação da navegação no Estreito de Ormuz.

Ameaças e ultimatos persistem

No último domingo (5), Donald Trump havia dado um ultimato ao Irã, afirmando que o país teria até esta terça-feira (7) para “abrir a p? do estreito”.

Essa declaração veio dias após o presidente ter minimizado a necessidade americana do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o escoamento de petróleo e gás do Golfo Pérsico. Trump alertou que, caso Teerã não ceda, as forças americanas estariam preparadas para atacar pontes e usinas de energia no país. O contexto dessas declarações ressalta a complexidade e a volatilidade das relações diplomáticas na região. (Da IstoÉ com ANSA)