Os estudantes universitários têm direito a protestar, mas devem “entender os limites”, afirmou nesta terça-feira (24) uma porta-voz do governo iraniano, na primeira reação às novas manifestações no país.
Os alunos iniciaram no sábado um novo semestre letivo com manifestações a favor e contra o governo, segundo a imprensa local.
Alguns gritaram os mesmos lemas proferidos nos recentes protestos antigovernamentais que, segundo várias ONGs, terminaram com milhares de mortos em operações das forças de segurança.
O regime dos aiatolás está sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear. Washington ordenou uma grande mobilização naval e aérea no Oriente Médio, mas não fechou a via diplomática.
“As coisas sagradas e a bandeira são dois exemplos dos limites que devemos proteger e não ultrapassar, nem nos afastarmos deles, nem sequer no auge da revolta”, afirmou a porta-voz Fateme Mohayerani.
Segundo ela, os estudantes iranianos “têm feridas no coração e viram cenas que podem perturbá-los e enfurecê-los. A ira é compreensível”.
Em dezembro, o Irã foi cenário de protestos, sobretudo contra o custo de vida em um país submetido a sanções. Nos dias 8 e 9 de janeiro, as manifestações foram organizadas em muitas cidades.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, contabilizou mais de 7.000 mortos, mas acredita que o número é ainda maior.
As autoridades iranianas reconhecem mais de 3.000 mortos, mas afirmam que a violência foi provocada por “atos terroristas” fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.
Mohayerani declarou que uma missão de investigação examina “as causas e os fatores” dos protestos e apresentará um relatório.
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