Irã diz que detém controle do Estreito de Ormuz

Irã afirma que navios que tentarem atravessar a região podem ser bombardeados; Trump prometeu escoltar petroleiros

Irã diz que detém controle do Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que suas forças detêm o “controle total” do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o escoamento do petróleo e do gás natural produzidos no Oriente Médio, por onde transitam navios vindos do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.

Segundo os militares iranianos, qualquer embarcação que tente atravessar o estreito correrá o risco de ser atingida por mísseis ou drones. A Guarda Revolucionária também informou ter lançado mais de 40 mísseis contra alvos americanos e israelenses em uma nova onda de ataques.

Nesta terça-feira (03/03), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana está pronta para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz.

“Gargalo” mais importante do mundo

Com apenas 33 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é considerado o gargalo para o transporte de petróleo mais importante do mundo, segundo a definição da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

No seu ponto mais estreito, a via pela qual os navios podem navegar tem apenas 3,2 quilômetros de largura em cada direção, o que a torna uma passagem congestionada e perigosa.

Grandes volumes de petróleo bruto extraídos por países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, passam pelo estreito antes de chegarem a países consumidores em todo o mundo.

Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis sejam transportados por ali diariamente, segundo dados da Vortexa, uma consultoria do mercado de energia e frete.

ONG registra quase 800 mortes no Irã

A ONG humanitária Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirmou nesta terça-feira que o número de mortos no Irã desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel ao país aumentou para 787, incluindo 165 estudantes e funcionários mortos em um ataque com mísseis a uma escola primária em Minab, no sul do país, no primeiro dia da guerra.

Não ficou claro se o número de mortos incluía baixas militares da Guarda Revolucionária Islâmica.

Em Israel, as autoridades contabilizaram dez mortos, incluindo nove pessoas que morreram em um ataque com um míssil iraniano em Beit Shemesh, perto de Jerusalém, em 1º de março. As Forças de Defesa de Israel não relataram baixas militares.

No Líbano, quarenta pessoas foram mortas em ataques com mísseis israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde do país, onde o grupo islamista Hezbollah entrou em confronto com forças de Israel próximo à fronteira.

O Comando Central dos EUA das Forças Armadas dos EUA relataram que seis soldados americanos morreram em um ataque a uma instalação militar americana no Kuwait.

Trump insiste que Israel não forçou os EUA a atacar o Irã

O presidente dos Estados Unidos insistiu que Israel não pressionou os EUA a lançar os ataques iniciais contra o Irã no último fim de semana.

“Acho que eles iriam atacar primeiro, e eu não queria que isso acontecesse. Então, se alguma coisa aconteceu, talvez eu tenha forçado Israel a agir”, disse Donald Trump a repórteres. “Estávamos negociando com esses lunáticos, e na minha opinião, eles [Irã] iriam atacar primeiro.”

O presidente afirmou que os ataques tiveram um “impacto muito forte porque praticamente tudo o que eles tinham foi destruído”, mas expressou surpresa com o fato de o regime iraniano estar lançando ataques contra muitos de seus vizinhos no Oriente Médio. “Agora esses países estão todos lutando contra eles e lutando fortemente”, acrescentou Trump.

Seus comentários parecem contradizer os do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que disse nesta segunda-feira que um plano de Israel para atacar o Irã teria levado o governo Trump a realizar ataques preventivos.

Nesta terça-feira, após as falas de Trump, Rubio fez uma tentativa de se retratar de suas declarações. “Eu disse a vocês, isso tinha que acontecer de qualquer maneira. O presidente tomou uma decisão, e a decisão que ele tomou foi que o Irã não poderia se esconder atrás de seu programa de mísseis balísticos”, insistiu o secretário, sem abordar diretamente seus comentários sobre o plano de Israel de atacar primeiro.

“A questão principal é esta: nós, o presidente, determinamos que não seríamos atingidos primeiro.”

‘Ataques mataram potenciais novos lideres iranianos’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (03/03) que os ataques conjuntos EUA-Israel eliminaram potenciais novos líderes do Irã, além de aniquilar a maior parte das Forças Armadas do país.

Ele disse que duas ondas de ataques mataram os prováveis novos líderes e que houve um novo ataque “substancial” a uma reunião na qual seria escolhida a nova liderança iraniana.

Mais cedo, a mídia estatal iraniana e a imprensa israelense noticiaram o bombardeio da Assembleia dos Peritos em Qom, cidade religiosa localizada ao sul de Teerã.

A Assembleia dos Peritos é o corpo de clérigos responsável por nomear, supervisionar e, potencialmente, destituir o líder supremo. O órgão deve eleger o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado durante uma onda de ataques dos EUA e de Israel.

“A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta”, disse Trump. “Agora temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, de acordo com relatos.”

Trump já havia incitado o povo iraniano a se levantar e derrubar seu governo, mas a queda da República Islâmica não estava entre os objetivos principais da operação anunciados por sua gestão, que incluíam a interrupção do programa nuclear iraniano.

No Salão Oval da Casa Branca, ao lado chanceler alemão, Friedrich Merz, Trump afirmou que as forças de defesa iranianas foram dizimadas durante os ataques.

“Quase tudo foi eliminado”, disse o republicano. “Eles não têm Marinha, ela foi eliminada. Eles não têm Força Aérea. Ela foi eliminada. Eles não têm sistema de detecção aérea, isso foi eliminado. O radar deles foi eliminado”, disse o presidente.

França envia porta-aviões ao Mar Mediterrâneo

Em meio à escala do conflito no Oriente Médio, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que reforçará significativamente sua presença militar na região.

Em um pronunciamento transmitido em cadeia de televisão na noite desta terça-feira (03/03), Macron confirmou o envio de um porta-aviões ao Mediterrâneo e de uma fragata ao Chipre — onde, um dia antes, uma base britânica em Acrotíri foi atingida no por um drone iraniano —, além de outros aparatos de defesa antiaérea.

Duas bases militares francesas também foram alvos de ataques na esteira da guerra no Irã, deflagrada por Estados Unidos e Israel no fim de semana.

Macron diz que seu governo trabalha para formar uma coalizão que ajudaria a garantir a segurança do tráfego marítimo na região, que foi seriamente comprometido com o conflito e a ameça do Irã a navios que trafegam pelo Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial.

O conflito despertou temores de uma escalada nos preços do petróleo, o que poderia ter efeitos devastadores para a economia.

Macron disse também querer garantir a navegabilidade do Canal de Suez, no Egito, e das rotas de navegação do Mar Vermelho, que também estão ameaçadas pela expansão do conflito.

“Temos interesses econômicos a proteger, porque preços de petróleo, preços de gás e a situação internacional do comércio estão sendo profundamente prejudicados por essa guerra”, afirmou o presidente francês.

Ação de EUA e Israel contra o Irã viola direito internacional, afirma Macron

O presidente francês Emmanuel Macron disse nesta terça-feira (03/03) que as operações militares dos Estados Unidos e de Israel no Irã foram conduzidas “à margem do direito internacional”, mas atribuiu a Teerã a principal responsabilidade pelo conflito.

“Os Estados Unidos e Israel decidiram lançar operações militares, conduzidas fora do direito internacional, o que não podemos aprovar”, afirmou Macron, ressalvando que o Irã “carrega a responsabilidade principal por esta situação”.

O presidente francês justificou suas críticas ao Irã citando seu programa nuclear “perigoso”, o apoio a grupos armados na região e as ordens para atirar “em seu próprio povo” durante a onda recente de protestos contra o regime dos aiatolás.

Até então, a Espanha era o único país europeu a condenar a ofensiva contra Teerã.

Mas apesar das críticas de Macron, seu governo já alertou o Irã de que está pronto para adotar ação militar em defesa de seus aliados no Golfo.

“Tomaremos medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região, potencialmente permitindo ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir, na origem, a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones”, afirma uma nota conjunta assinada por Alemanha, França e Reino Unido.

Crítica a ação de Israel no Líbano

Macron também afirmou que uma operação terrestre de Israel no Líbano seria “uma escalada perigosa e um erro estratégico”.

Tel Aviv tem promovido ataques e avançou sobre o território do país vizinho desde que foi alvo de foguetes disparados pela milícia xiita Hezbollah, aliada do regime dos aiatolás em Teerã.

O presidente francês, contudo, ressaltou que o Hezbollah cometeu “um grande erro” ao atacar Israel primeiro e “pôr em perigo o povo libanês”.

Macron disse que uma operação terrestre de Israel seria uma “escalada perigosa e um erro estratégico”, e apelou ao país para que respeite “o território libanês e sua integridade”.

 Trump afasta hipótese de Reza Pahlavi liderar novo regime

O presidente americano Donald Trump descartou nesta terça-feira (03/03) a possibilidade de Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã deposto pela Revolução Islâmica em 1979, assumir a liderança do país numa eventual mudança de regime.

Falando numa coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz, Trump disse que Pahlavi “parece uma pessoa muito agradável”, mas disse preferir um líder de dentro do país.

“Alguém que esteja lá, que seja popular, se é que existe tal pessoa”, defendeu Trump.

Mais cedo, o americano havia dito que, na pior das hipóteses, o governo iraniano seria assumido por alguém muito parecido com o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio no fim de semana.

“Acho que o pior cenário seria: nós fazemos isso [atacar o Irã], e aí assume alguém que é tão ruim quanto a pessoa de antes, né?”, disse a repórteres. “Isso poderia acontecer. Não queremos que aconteça.”

Com informações da AFP, EFE, DW, Reuters e AP