Irã diz que ainda não tem resposta sobre proposta dos EUA

Presidente dos EUA ameaça realizar ataques de maior intensidade caso Teerã não aceite acordo

Irã diz que ainda não tem resposta sobre proposta dos EUA

Um porta-voz do Ministério do Exterior do Irã declarou nesta quinta-feira, 7, à agência de notícias iraniana Irna que o regime em Teerã ainda não chegou a uma conclusão sobre a proposta dos Estados Unidos e que nenhuma resposta foi dada aos EUA.

Enquanto os dois países não chegam a um acordo, em torno de 1,5 mil navios e suas tripulações estão presos no Golfo Pérsico devido ao bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, informou o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU, Arsenio Domínguez.

“Neste momento, temos aproximadamente 20 mil tripulantes e cerca de 1,5 mil navios presos”, disse Domínguez. As Forças Armadas dos EUA calculam que o total seria de 1.550 navios de 87 países.

O controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz abalou a economia mundial, causando um aumento acentuado nos preços dos combustíveis que se espalhou por outros setores com efeitos muito além do Oriente Médio. Também deixou dezenas de milhares de marinheiros e centenas de navios presos no Golfo Pérsico.

O Irã efetivamente assumiu o controle da via navegável após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro. Semanas de intensos bombardeios e um bloqueio naval dos EUA, imposto no mês passado, ainda não surtiram efeito.

Segundo a OMI, 32 navios foram atacados desde o inicio da crise, com dez marinheiros mortos. As taxas de seguro para navios dispararam de 1% da carga do navio para até 10%, de acordo com especialistas em transporte marítimo.

Impasse permanece

De acordo com a plataforma Lloyd’s List Intelligence, que reúne dados sobre o comércio marítimo global, acredita-se que apenas dois navios teriam passado pelo estreito desde o início das crise no Irã, até 4 de maio. Em tempos normais, entre 6,5 mil e 8.450 navios teriam transitado pelo estreito durante o mesmo período.

Antes da guerra, um quinto do petróleo comercializado no mundo normalmente passava pelo estreito todos os dias, assim como grandes quantidades de gás natural, fertilizantes e outros derivados de petróleo.

O Irã afirma que só reabrirá o estreito se a guerra terminar e o bloqueio for suspenso. O presidente dos EUA, Donald Trump, busca concessões mais amplas, incluindo a suspensão do controverso programa nuclear iraniano.

Presidente do Irã afirma que se reuniu com o líder supremo

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira (07/05) que se encontrou recentemente com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

Esta é a primeira vez em que o mandatário ou outras autoridades informam sobre reuniões com a nova autoridade máxima da República Islâmica.

Pezeshkian relatou a reunião de duas horas e meia durante uma visita ao Ministério da Indústria, Minas e Comércio, e disse que o encontro se centrou em questões importantes de governo, segundo a agência estatal Irna.

Mojtaba Khamenei foi nomeado líder supremo em 8 de março, após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, por parte dos Estados Unidos e de Israel.

Desde então, ninguém o viu nem o ouviu, em meio a especulações sobre seu estado de saúde após supostos ferimentos sofridos durante a guerra.

A nova autoridade religiosa máxima do Irã emitiu apenas comunicados que foram lidos por apresentadores na televisão estatal ou compartilhados em redes sociais.

Analistas consideram que, neste momento, a tomada de decisões na república islâmica se deslocou do gabinete do líder supremo para um grupo de segurança que inclui a Guarda Revolucionária, o Conselho Supremo de Segurança e figuras com laços com os setores de defesa do país.

Nesse sistema de governança de consenso de segurança, a voz de Mojtaba Khamenei seria apenas mais uma entre várias.

(AFP, AP, Efe e Reuters)