O Irã desmentiu nesta segunda-feira (3) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e negou a retomada de negociações entre os dois países. A declaração de Teerã contraria a justificativa de Trump para adiar um ataque massivo que os EUA estariam preparando contra a República Islâmica.
O que aconteceu
- Irã desmente Donald Trump e nega qualquer tipo de negociação em andamento com os Estados Unidos.
- O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano confirma apenas conversas com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz.
- A negação de Teerã contradiz a afirmação de Trump de que havia adiado um ataque massivo devido à expectativa de novas tratativas.
“Neste momento, não há negociações em andamento com os Estados Unidos”, afirmou Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano. Ele acrescentou que existem apenas conversas “com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz”, uma rota marítima crucial.
Baghaei também disse que não estão previstos encontros entre as delegações do Irã e dos EUA nos próximos dias.
Por que Irã desmente Trump sobre negociações?
No último fim de semana, Trump anunciou o adiamento de um plano para lançar “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial” contra o Irã. A decisão veio após pressão de aliados no Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, que temem uma escalada de guerra em todo o Oriente Médio.
“Quando escuto sobre um acordo a respeito do Estreito de Ormuz e, em última análise, a desnuclearização, eu digo para mim mesmo: queremos realmente prosseguir [com o ataque]? Porque muita gente morre, e não queremos isso”, disse Trump a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, no último domingo (2).
Segundo o presidente dos EUA, o próprio Irã pediu a suspensão dos ataques. Contudo, essa informação foi categoricamente negada por Teerã, reforçando o desmentido sobre a existência de qualquer negociação.
Estreito de Ormuz: ponto crucial de tensão
Enquanto isso, a República Islâmica mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o escoamento da produção de petróleo do Golfo. A navegação é permitida apenas em trajetos previamente autorizados.
De acordo com o país, a via marítima “jamais voltará à situação pré-guerra”, quando não havia restrições. “Os Estados Unidos causaram insegurança na região, mas demonstramos que o poder de dissuasão do Irã parou o inimigo”, declarou Baghaei.