O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou, nesta quinta-feira (27), como “escandalosas” as advertências do chanceler israelense sobre a possibilidade de recorrer a uma “opção militar” para deter as ambições nucleares do Irã.
Em uma entrevista concedida ao portal americano Politico, Gideon Saar afirmou que o Irã havia enriquecido urânio suficiente para fabricar “algumas bombas” e que o tempo estava se esgotando.
“Acredito que para impedir que o Irã desenvolva um programa nuclear militar, deve-se contemplar uma opção militar crível”, declarou, segundo o artigo publicado na quarta-feira pelo Politico.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, condenou, nesta quinta-feira, as declarações de Saar.
“O ministro israelense das Relações Exteriores e outros responsáveis continuam ameaçando o Irã com uma ação militar, enquanto o Ocidente continua culpando o Irã por sua capacidade de se defender”, escreveu no X. “É escandaloso”, acrescentou.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou neste mês que Israel “terminaria o trabalho” contra o Irã com o apoio dos Estados Unidos, seu principal aliado.
Netanyahu não deu mais detalhes sobre essa ideia, mas há muito tempo defende uma linha dura contra a República Islâmica, apresentada como uma ameaça para a existência de Israel.
Os Estados Unidos se retiraram em 2018, sob o primeiro mandato de Donald Trump, do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que foi concluído três anos antes e oferecia ao Irã um alívio das sanções internacionais em troca de que limitasse suas ambições nucleares.
Em represália à retirada unilateral dos Estados Unidos do pacto, Teerã não cumpriu seus compromissos e seguiu adiante com o programa nuclear.
O Irã afirma que seu programa nuclear só tem fins civis, especialmente para energia, e nega que queira fabricar armas nucleares.
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