O Irã iniciou o processo de enriquecimento de urânio usando as centrífugas avançadas que acaba de instalar, uma nova etapa no descumprimento do acordo de 2015 sobre seu programa nuclear – informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta quinta-feira (26).
De acordo com um relatório da AIEA, órgão da ONU encarregado de monitorar o cumprimento deste contrato, as centrífugas avançadas instaladas na central de Natanz “estão ativas, ou já foram preparadas para realizar o enriquecimento de urânio”.
As centrífugas “que estão em processo de acumulação de urânio enriquecido”, ou prestes a fazê-lo, são 20 modelos do tipo IR-4 e duas “cascatas”, totalizando 30 modelos do tipo IR-6, especifica o relatório consultado pela AFP.
A produção por meio destas centrífugas “aumentará os níveis de acúmulo” de urânio do Irã, disse à AFP uma fonte diplomática em Viena, ressaltando que se trata de “um número reduzido de centrífugas”.
Este diplomata também defendeu que esta decisão não comporta “nenhuma mudança” na cooperação entre o Irã e a AIEA.
O acordo de 2015 sobre o programa nuclear do Irã autoriza Teerã a produzir urânio enriquecido apenas com centrífugas de primeira geração (IR-1). A instalação de centrífugas em cascata acelera o processo de enriquecimento.
O Irã anunciou em 7 de setembro que havia ligado essas centrífugas avançadas para aumentar seu estoque de urânio enriquecido, o qual, desde julho, excede o limite (300 quilos) estabelecido pelo Acordo de Viena.
Assinado entre Teerã e as principais potências – incluindo os Estados Unidos -, este pacto está em risco desde que o presidente americano, Donald Trump, denunciou o texto em maio de 2018 e decidiu pela retirada de seu país.
Desde então, Washington restabeleceu as sanções econômicas contra Teerã, em nome de uma política de “pressão máxima”, destinada a forçar a República Islâmica a negociar um novo acordo.
O restabelecimento das sanções dos EUA priva o Irã dos benefícios econômicos que esperava do acordo.
Este texto prevê o levantamento de parte das sanções internacionais contra o Irã em troca de uma limitação drástica de seu programa nuclear para garantir que o país não adquira a arma atômica.
Ao reduzir gradualmente seus compromissos, Teerã – que sempre negou querer fabricar a bomba nuclear – pretende pressionar os outros Estados partes no acordo (europeus, Rússia e China) para ajudá-lo a contornar as sanções americanas.
Desde maio, Teerã aumentou seus estoques de urânio enriquecido além do limite estabelecido no contrato e agora enriquece esse minério a 4,5%, acima do teto (3,67%). Ainda está muito longe do limiar necessário para uso militar.
O presidente iraniano, Hassan Rohani, assegurou nesta quinta (26) que “certamente” seu país manterá conversas com os Estados Unidos, se o presidente Donald Trump suspender as sanções.
“Se chegarmos a um momento em que estas condições forem tiradas da mesa, certamente existe a possibilidade de falar com os Estados Unidos”, disse Rohani a jornalistas em Nova York, um dia depois de seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
A expectativa de uma reunião entre o presidente iraniano e Trump, à margem da Assembleia, acabou sendo frustrada.