A liderança iraniana alertou neste domingo (01/02) que um ataque americano ao país desencadearia um conflito regional e classificou os exércitos da União Europeia como “grupos terroristas”. Os Estados Unidos reforçaram sua presença naval no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, ameaça repetidamente intervir caso o Irã não aceite um acordo nuclear ou não interrompa a repressão a manifestantes.
Já a União Europeia designou na quinta-feira a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) como organização terrorista, em um gesto simbólico após a repressão que deixou mais de 3 mil mortos. Em retaliação, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os exércitos da UE também seriam classificados como terroristas e que autoridades discutiriam a expulsão de adidos militares europeus.
“Ao tentar atingir a Guarda Revolucionária, os europeus, na verdade, deram um tiro no próprio pé”, disse Qalibaf. Após o discurso, parlamentares gritaram: “Morte à América, vergonha à Europa”.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, criticou a decisão iraniana. Segundo ele, a medida é “infundada” e “propagandística”. “Aqueles que reprimem violentamente protestos pacíficos, executam membros da oposição e espalham terror pela Europa não podem desviar críticas com manobras políticas”, disse. “Não seremos intimidados por nossa posição.”
Irã e EUA sinalizam negociações
Apesar do impasse entre os governantes iranianos e o governo Trump, ambos os lados sinalizaram disposição para retomar negociações, enquanto aliados regionais, como a Turquia, tentam reduzir a escalada.
Um funcionário iraniano negou que a Guarda Revolucionária planejasse realizar exercícios militares no Estreito de Hormuz, apesar da retórica do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, contra a ameaça americana.
Neste domingo, ele comparou os protestos recentes a um “golpe”, alertando que um ataque dos EUA provocaria um conflito amplo. “Os americanos devem saber que, se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse.
A Marinha dos EUA mantém atualmente destróieres, um porta-aviões e três navios de combate na região. A escalada ganhou força após a repressão letal do Irã contra protestos nacionais. O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, afirma ter verificado até agora 6.713 mortes nos embates.
Os protestos, que começaram por dificuldades econômicas e se transformaram no maior desafio político à República Islâmica desde sua fundação em 1979, perderam força após a repressão.
Segundo a agência de notícias Reuters, Trump avaliava opções contra o Irã que incluíam ataques direcionados contra forças de segurança. No sábado, porém, ele disse a repórteres que Teerã “conversa seriamente” com Washington. O chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, também argumentou que preparativos para negociações estavam em andamento.
“Espero que negociem algo aceitável. É possível chegar a um acordo satisfatório, sem armas nucleares”, disse Trump. No domingo, ele voltou a afirmar que espera celebrar um acordo com Teerã.
Já o Irã diz estar pronto para negociações “justas”, que não busquem limitar suas capacidades defensivas. Em um gesto aos EUA, autoridades iranianas ordenaram a libertação, mediante fiança, do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos. Washington havia alertado que ele estaria no corredor da morte e ameaçou atacar o Irã caso qualquer manifestante fosse executado.