Irã autoriza formalmente mulheres a pilotar motocicletas

A medida é tomada após uma onda de protestos contra o governo, cuja repressão provocou milhares de mortes

Irã autoriza formalmente mulheres a pilotar motocicletas

O Irã autorizou mulheres a obterem carteiras de habilitação para motocicletas, informou a imprensa local nesta quarta-feira(4), pondo fim a anos de ambiguidade legal. Anteriormente, a lei não as proibiam explicitamente, mas, na prática, as autoridades se recusavam a emitir carteiras.

O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, assinou nesta terça-feira uma resolução aprovada no final de janeiro para esclarecer o Código de Trânsito, informou a agência de notícias Ilna. A resolução exige que a polícia de trânsito “ofereça treinamento prático às solicitantes, organize um exame sob a supervisão direta da polícia e emita carteiras de habilitação para motocicletas às mulheres”, disse a Ilna.

A medida é tomada após uma onda de protestos contra o governo, cuja repressão provocou milhares de mortes. Teerã reconhece mais de 3.000 mortes, mas insiste que a maioria eram membros das forças de segurança e transeuntes. ONGs negam a versão e calculam que o número é muito maior, talvez dezenas de milhares, e que quase todos os manifestantes foram mortos pela polícia.

Para Saina, de 33 anos, funcionária de uma agência de publicidade, que utiliza uma motocicleta há seis meses, a mudança chega “tarde demais”. “Não acho que este seja o principal problema da nossa sociedade”, disse à AFP, referindo-se aos recentes protestos e aos desafios econômicos.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, as mulheres enfrentam restrições sociais. Elas devem cobrir os cabelos com um véu em público e usar roupas simples e largas. Nos últimos anos, muitas têm desafiado essas regras, e o número das que pilotam motocicletas aumentou nos últimos meses.

A tendência se intensificou após a morte sob custódia de Mahsa Amini em 2022, uma jovem presa por supostamente violar o código de vestimenta. O caso provocou protestos em todo o Irã.