Irã adverte que ‘muitas’ bases dos EUA estão ao alcance de seus mísseis

O Irã afirmou, nesta quinta-feira (29), que “muitas” bases americanas estão ao alcance de seus mísseis e responderá “de imediato” se Washington cumprir a ameaça de atacá-lo, horas depois de a União Europeia incluir a Guarda Revolucionária em sua lista de “organizações terroristas”.

Sob pressão crescente após a repressão brutal dos protestos contra o governo, que segundo as ONGs deixou milhares de mortos, o Irã contra-ataca verbalmente as ameaças, mas sem fechar a porta ao diálogo.

Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, exigiu um acordo sobre o programa nuclear iraniano e advertiu que o “tempo está acabando” diante de um possível ataque americano, “pior” que o realizado em junho do ano passado contra instalações nucleares iranianas.

Washington destacou suas forças navais no Golfo, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln.

Ante essas ameaças, o Irã se mostra inflexível.

“Haverá uma resposta contundente de forma imediata”, declarou à televisão estatal o porta-voz do Exército, general Mohammad Akraminia. Acrescentou que os porta-aviões americanos têm graves vulnerabilidades e há “muitas” bases americanas que estão “dentro do alcance” de mísseis iranianos.

Pouco antes, o chefe do Exército, Amir Hatami, prometeu uma “resposta esmagadora” e anunciou ter equipado os regimentos de combate com 1.000 drones.

Citado pela agência de notícias oficial Irna, o primeiro vice-presidente Mohammad Reza Aref afirmou que o país deve permanecer alerta: “Hoje devemos estar preparados para um estado de guerra”, declarou.

“Nossa estratégia é nunca iniciar uma guerra, mas se formos forçados a entrar nela, nos defenderemos”, afirmou.

Além disso, o Irã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, uma passagem-chave para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia também aumentaram a pressão sobre a República Islâmica ao designarem como “organização terrorista” a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã. Eles acusam o grupo de orquestrar a repressão violenta dos protestos antigovernamentais de janeiro.

“Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos trabalha para sua própria destruição”, afirmou a chefe de diplomacia do bloco, Kaja Kallas, estimando, no entanto, que o Oriente Médio não precisa de uma “nova guerra”.

“‘Terrorista’, é assim que se qualifica um regime que reprime com sangue as manifestações de seu próprio povo”, reagiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Israel, inimigo declarado do Irã, exaltou a ação do bloco, uma “decisão histórica”.

No entanto, para o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a designação é “um erro estratégico importante […] a Europa alimenta o fogo”. Na quarta-feira, ele já havia advertido que as Forças Armadas de seu país estavam “com o dedo no gatilho”, preparadas para responder a qualquer ataque americano.

Os europeus também sancionaram vários funcionários de alto escalão iranianos, incluindo o ministro do Interior, Eskandar Momeni, o chefe da polícia e vários líderes da Guarda Revolucionária. Ao todo, cerca de 21 entidades e indivíduos terão a entrada proibida na União Europeia, que também congelou seus ativos.

– Potencial de negociação –

Apesar do teor incendiário das declarações, a via diplomática permanece aberta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu, nesta quinta, diálogo com o Irã, especialmente sobre o tema nuclear, para evitar uma crise com “consequências devastadoras para a região”.

O primeiro vice-presidente iraniano afirmou que seu país está disposto a negociar com os Estados Unidos. Mas “desta vez queremos garantias”, declarou, sem especificá-las.

Nesta semana, o chanceler iraniano manteve negociações com os países do Golfo, que se opõem a uma intervenção americana.

Araghchi terá reuniões na sexta-feira na Turquia, país que pretende assumir um papel de mediação para acalmar a tensão entre Teerã e Washington.

O presidente Masud Pezeshkian conversou com o emir do Catar Tamim bin Hamad Al Thani, com quem insistiu na importância do diálogo, segundo a agência oficial catari QNA.

A Rússia afirmou, por sua vez, que o potencial de negociação com o Irã “está longe de ter se esgotado” e pediu “moderação” a “todas as partes”.

Nesta quinta-feira, cafeterias e lojas estavam abertas em Teerã. Havia novamente engarrafamentos no centro da cidade, onde se viam cartazes pró-governo.

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