Irã acusa EUA e Israel de crimes de guerra

Irã acusa EUA e Israel de crimes de guerra

"IsraelEmbaixador do Irã na ONU diz que mais de 1,3 mil civis morreram nos ataques americanos e israelenses. Trump quer influir na escolha do novo líder iraniano. Acompanhe as notícias sobre o conflito.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo. Colegiado inclui o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi.
O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a "rendição incondicional do Irã". Ele diz que foi procurado pela nova liderança iraniana, mas que agora "é tarde demais". Segundo ele, a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder. Trump, contudo, disse preferir nome "de dentro do país". Na quinta (05/03), disse que os EUA teriam que escolher o próximo aiatolá "junto com o Irã".
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global. Trump reagiu prometendo escoltar petroleiros, e França mobilizou porta-aviões para defender "interesses econômicos".
Total de mortos já passou de 1.400 em nove países; destes, mais de 1.200 foram no Irã, e outros mais de 200 no Líbano.

Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

Putin conversa com presidente do Irã e lamenta morte de Khamenei
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou nesta sexta-feira com seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, com quem prometeu manter contato nas próximas semanas.

O líder russo expressou suas condolências pelas mortes do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de funcionários do governo e civis em todo o país, informou o Kremlin, segundo a agência de notícias estatal russa Tass.

Putin também reiterou a posição da Rússia de que as hostilidades devem terminar imediatamente e que uma solução diplomática deve ser encontrada.

Pezeshkian, por sua vez, expressou gratidão pelo apoio da Rússia e forneceu um relatório detalhado dos acontecimentos no Irã.

"Foi acordado que os contatos com o lado iraniano continuarão por meio de vários canais", disse o Kremlin.

A conversa ocorreu em meio a relatos de que a Rússia estaria fornecendo informações de inteligência ao Irã para que possa atacar as forças americanas na região.

rc (AP)

Enviado do Irã à ONU acusa EUA e Israel de crimes de guerra
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que ao menos 1.332 civis iranianos morreram nos ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com milhares de feridos. Ele acusou os dois países de cometerem crimes de guerra e contra a humanidade.

Iravani disse a repórteres na sede da ONU em Nova York que os EUA e Israel "demonstraram que não reconhecem limites na prática de seus crimes".

Os dois países atacam áreas civis e infraestruturas "densamente povoadas", incluindo escolas, instalações médicas, recreativas e esportivas, disse o embaixador, destacando que tais atos constituem claros crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Iravani alertou o Conselho de Segurança da ONU para "agir agora, sem demora", e que a omissão poderá ter consequências catastróficas. "Hoje, é o Irã. Amanhã poderá ser qualquer Estado-membro [da ONU]."

rc (Reuters)

Petróleo tem alta recorde, e afeta bolsas americana e europeia
A guerra no Irã fez os preços do petróleo dispararem ao seu nível mais alto desde setembro de 2023, superando os 90 dólares por barril nesta sexta-feira (06/03), despertando temores de um efeito generalizado sobre as taxas de inflação.

A alta, combinada com números fracos no mercado de trabalho americano, preocupa os mercados financeiros e derrubou as bolsas americana e europeia.

O preço do barril de petróleo Brent, o padrão internacional, subiu 8,3%, para 92,53 dólares, e chegou brevemente a ultrapassar os 94 dólares.

A alta do petróleo é uma consequência da guerra no Irã e da expansão do conflito até áreas críticas para a produção e o transporte de petróleo e gás no Oriente Médio, com o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 20% da commodity a nível mundial, boa parte para mercados asiáticos.

O fechamento da via também prejudica países do Golfo cujas economias dependem dessas exportações, além de elevar os preços globais do frete marítimo.

Caso a tendência de alta nos preços do petróleo piore e se mantenha, isso poderá ter efeitos devastadores para a economia.

O governo americano chegou a anunciar que escoltaria petroleiros no Estreito de Ormuz, e a Casa Branca avalia liberar parte do seu estoque estratégico de petróleo para manter os preços sob controle.

No Catar, o ministro de Energia alertou que a exportação de gás e petróleo no Golfo deve parar completamente em questão de dias.

Efeito dominó

O petróleo bruto é uma importante unidade econômica, portanto, um aumento nos preços causa um efeito dominó, gerando alta nos preços de outros bens.

Uma inflação mais elevada pode pesar sobre a confiança geral dos consumidores e os gastos. Os bancos centrais também podem aumentar as taxas de juros para controlar a alta nos preços, desacelerando ainda mais o crescimento econômico.

Também nesta sexta, um oficial do Kremlin anunciou que empresas russas de energia vão desviar para a Ásia parte do gás natural liquefeito que vendem à Europa, em resposta às sanções impostas à Rússia por causa da guerra na Ucrânia.

O anúncio vem num momento de alta nos preços de combustíveis fósseis na Europa.

ra (AP, dpa, ots)

EUA suspeitos de ataque a escola no Irã que teria matado dezenas de crianças
Imagens de satélite, análise de especialistas e informações divulgadas pelos militares dos Estados Unidos e de Israel sugerem que uma explosão que teria matado dezenas de crianças iranianas em uma escola provavelmente foi causada por ataques aéreos americanos, que também atingiram um complexo adjacente associado à Guarda Revolucionária(IRGC).

A escola em Minab, no sul do Irã, foi atingida no sábado (28/02), primeiro dia de ataques dos EUA e de Israel contra o país.

O ataque, segundo informações da mídia estatal iraniana, foi o mais letal da guerra até agora em número de vítimas: mais de 165 mortos, a maioria crianças.

Imagens de satélite feitas na quarta-feira e analisadas pela agência de notícias Associated Press mostram que a maior parte da escola foi reduzida a escombros e o telhado, perfurado. Especialistas afirmam que o padrão dos danos visíveis nas fotos de satélite é compatível com um ataque aéreo direcionado.

O Irã responsabilizou Israel e os Estados Unidos pela explosão. Nenhum dos países assumiu responsabilidade.

Casa Branca confirma investigação

Questionado sobre o ataque à escola durante uma coletiva de imprensa no Pentágono na quarta-feira, o secretário de Defesa Pete Hegseth disse: "Tudo o que posso dizer é que estamos investigando. Nós, claro, nunca miramos alvos civis. Mas estamos analisando e investigando isso."

O exército americano admitiu ataques na província de Hormozgan, inclusive um próximo à escola.

Ainda segundo a AP, imagens antigas de satélite mostram que o prédio da escola não era separado do complexo da Guarda Revolucionária até cerca de uma década atrás, quando um muro foi construído entre eles.

Reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times nesta sexta-feira também aponta para a alta probabilidade de o ataque ter sido provocado por forças americanas. O mesmo foi dito por dois investigadores militares dos EUA à agência de notícias Reuters.

No caso dos militares que falaram à Reuters, porém, eles frisaram ainda não terem chegado a uma conclusão definitiva na investigação, que ainda está em andamento.

A agência não conseguiu obter mais detalhes sobre a investigação, incluindo quais evidências contribuíram para a avaliação preliminar, que tipo de munição foi usada, quem foi responsável ou por que os EUA poderiam ter atacado a escola.

Os oficiais, que falaram à Reuters na condição de anonimato, não descartaram a possibilidade de que novas evidências possam surgir que absolvam os EUA de responsabilidade e apontem para outra parte responsável no incidente.

ONGs investigam outros ataques

O bombardeio da escola em Minab gerou ampla condenação do secretário-geral das Nações Unidas e de organizações internacionais de direitos humanos. As críticas vêm em meio a relatos de que ataques aéreos também atingiram outras escolas no Irã.

A organização londrina de monitoramento de conflitos Airwars está analisando outros três ataques a escolas que causaram vítimas. Além desses, nas últimas 48 horas a Human Rights Activists News Agency, com sede nos EUA, relatou que pelo menos mais duas escolas foram atingidas.

rc/ra (AP, Reuters, AFP)

Israel diz ter destruído bunker usado por líderes iranianos
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta sexta-feira (06/03) que atacaram e destruíram o bunker militar subterrâneo do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques israelenses e americanos ao país.

O Exército israelense afirma que lideranças iranianas de alto escalão continuaram a usar as instalações após a morte de Khamenei, por considerá-las "um lugar seguro".

"Estavam enganados", afirmou a porta-voz Effie Defrin. Ela descreveu a destruição do complexo subterrâneo localizado sob prédios do governo no centro de Teerã como mais um golpe contra a liderança do regime.

Acredita-se que o complexo se estenda sob várias ruas, inclusive sob uma área residencial, e tenha inúmeras entradas, disse Defrin.

O ataque mobilizou cerca de 50 caças da Força Aérea Israelense. Testemunhas em Teerã relataram fortes explosões e tremores intensos que puderam ser sentidos em muitos prédios de apartamentos.

Inicialmente, não houve relatos de vítimas. Nos últimos dias, Israel também atacou importantes edifícios governamentais que estariam localizados acima do complexo de bunkers.

rc (AFP)

Drones atingem aeroportos e instalações petrolíferas no Iraque e na região autônoma do Curdistão
Quatro drones atingiram o aeroporto de Basra, no Iraque, e duas instalações petrolíferas ao sul país, enquanto explosões foram também registradas perto do aeroporto de Erbil, capital da região autônoma do Curdistão, no norte iraquiano, informaram fontes de segurança nesta sexta (06/03).

De acordo com um responsável de segurança citado pela agência de notícias AFP, um drone caiu no terminal de carga do aeroporto em Basra. Outros dois drones atingiram uma empresa americana localizada no complexo petrolífero de Burjesia, enquanto um quarto atingiu o campo petrolífero de Rumaila, explorado pela empresa britânica BP.

Na região autônoma do Curdistão iraquiano, as autoridades anunciaram também que a produção num campo petrolífero operado por uma empresa americana foi interrompida após um ataque.

Uma fonte de segurança informou que o ataque, realizado na quinta-feira com dois drones, atingiu o campo petrolífero HKN no distrito de Sarsang, na província de Dohuk, provocando danos e obrigando à suspensão da produção.

Já hoje, foi também foi ouvida uma explosão perto do aeroporto de Erbil, capital do Curdistão, onde estão estacionadas tropas dos Estados Unidos.

Vários grupos armados apoiados pelo Irã, conhecidos como Resistência Islâmica no Iraque, reivindicam ataques frequentes com drones contra bases e interesses americanos no país.

A região autônoma do Curdistão tem sido um dos principais alvos das ofensivas. O Curdistão iraquiano também abriga campos e bases de retaguarda de vários grupos rebeldes curdos iranianos, que vêm sendo alvos de ataques do Irã desde o início da guerra.

Teerã ameaçou nesta sexta-feira atacar "todas as instalações" da região caso militantes curdos iranianos fossem autorizados a entrar no Irã. Até agora, nenhuma força entrou no país, informaram fontes da oposição à AFP.

O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou apoio às forças da oposição curda para lançar uma potencial ofensiva no Irã, em meio a relatos de que Washington está incitando os curdos iranianos a se rebelarem contra a liderança iraniana.

O Iraque afirmou que não permitirá que seu território seja usado como plataforma para lançamento de ataques a países vizinhos. As autoridades da região autônoma iraquiana do Curdistão também prometeram neutralidade na guerra em curso entre os EUA e Israel contra o Irã.

fcl/ra (afp, lusa, dpa)

Trump exige "rendição incondicional do Irã"; Teerã diz que há "esforços de mediação" em curso
O presidente da EUA, Donald Trump, exigiu nesta sexta-feira (06/03) a "rendição incondicional" do Irã e afirmou que pretende se envolver tanto na escolha dos futuros dirigentes como na reconstrução do país.

Teerã, por outro lado, disse que está em curso uma tentativa de mediação por outras nações para o fim do conflito.

"Não haverá acordo com o Irã, apenas uma RENDIÇÃO INCONDICIONAL! Depois disso, e da escolha de um ou mais líderes ÓTIMOS E ACEITÁVEIS, com muitos parceiros e aliados maravilhosos e muito corajosos, trabalharemos incansavelmente para reconstruir o Irã, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte que nunca", escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.

"TORNEMOS O IRÃ GRANDE DE NOVO!", acrescentou o presidente americano, adaptando seu lema de campanha "Make America Great Again (tornar os EUA grandes de novo)".

Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse na rede social X que "alguns países iniciaram esforços de mediação", sem dar detalhes.

"Sejamos claros: estamos comprometidos com a paz duradoura na região, mas não temos a menor hesitação em defender a dignidade e a autoridade do nosso país. A mediação deve dirigir-se àqueles que subestimaram o povo iraniano e desencadearam este conflito", acrescentou Pezeshkian.

No sistema iraniano, o presidente está subordinado ao líder supremo, mas Pezeshkian agora faz parte de um colegiado de líderes que assumiu provisoriamente as funções do aiatolá Khamenei, morto por ataques de Israel e Estados Unidos no último sábado (28/02).

Na quinta, Trump já havia afirmado, em entrevista à agência de notícias Reuters, que teria direito de ajudar a escolher o próximo líder do Irã – que, pelas regras atuais, é sempre um clérigo muçulmano xiita sênior escolhido por um painel de especialistas religiosos.

“Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã. Teremos que escolher essa pessoa”, disse o presidente americano na ocasião.

Israel tem dito abertamente que o objetivo dos ataques é derrubar o governo do Irã. Washington tem sido mais cauteloso, afirmando que tem como meta eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que convida os iranianos a se rebelarem e derrubarem o governo de Teerã.

fcl/ra (lusa, reuters)

Israel faz novos ataques a Teerã e Beirute no sétimo dia de conflito
Novos ataques abalaram o Irã e o Líbano nesta sexta-feira (06/03), com o anúncio de Israel que vai intensificar as ofensivas na guerra do Oriente Médio em uma nova fase.

Imagens da AFPTV dos subúrbios ao sul de Beirute mostram prédios destruídos e veículos queimados após intensos bombardeios israelenses durante a noite, com dezenas de milhares de pessoas fugindo da destruição no início do sétimo dia de guerra.

Já em Teerã, explosões abalaram os céus na madrugada de sexta-feira, quando Israel afirmou estar atacando a "infraestrutura do regime" na cidade.

Na capital iraniana de 12 milhões habitantes, as ofensivas israelenses começaram por volta das 5h do horário local, no centro e em zonas como a de Pastor, onde várias repartições governamentais têm sede, incluindo a presidência, que já havia sido atacada anteriormente.

O exército israelense informou durante a madrugada que havia começado uma "ampla onda" de ataques contra a infraestrutura do regime iraniano em Teerã. Autoridades de Israel também afirmaram ter destruído seis lançadores de mísseis balísticos em território iraniano.

Os ataques foram respondidos por outra onda de mísseis vindos do Irã, sem que até o momento tenham sido relatados danos ou mortes do ataque em Israel.

O Líbano também amanheceu nesta sexta-feira com o registro de novos bombardeios nos bairros periféricos do sul da capital, Beirute, e também ao sul do país, segundo relatou a agência nacional de notícias ANN. O veículo informou sobre bombardeios perto de Baalbek, no leste do país; e em cidades do sul do Líbano como Touline ou Srifa e os subúrbios da capital como Haret Hreik, que já vêm sendo alvos dos ataques desde a última segunda-feira.

Durante a noite de quinta-feira, Israel emitiu ordens massivas de evacuação para esses bairros da periferia e lançou alguns bombardeios pontuais do que se esperava ser uma onda intensa. O Exército israelense intensificou sua ofensiva durante a madrugada libanesa. Na noite de quinta-feira, anunciou a operação especificamente contra o sul de Beirute, sem mencionar os outros locais atingidos, segundo a ANN.

Do Líbano, o Hezbollah, aliado do Irã, continua atacando o norte de Israel, com um alcance limitado, como represália pela operação contra Teerã e a cúpula política e militar iraniana.

No Líbano, a guerra já deixou 123 mortos, 683 feridos e dezenas de milhares de deslocados. De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, os ataques dos EUA e de Israel ao país mataram 926 pessoas, número que a AFP não pôde verificar de forma independente.

Em Israel, pelo menos 10 pessoas foram mortas, de acordo com as equipes de primeiros socorros locais. As Forças Armadas dos EUA relataram a morte de seis soldados desde o início da guerra, no sábado.

fcl/cn (afp, efe)

Transmissão ao vivo encerrada
Leia mais sobre os desdobramentos do conflito de EUA e Israel contra o Irã aqui.

Guerra no Irã pode beneficiar Rússia na Ucrânia
A consequências da guerra de EUA e Israel contra o Irã v são sentidas muito além da região e chegam, inclusive, na Ucrânia.

O país do Leste Europeu, que desde 2022 luta contra a invasão da Rússia, teme ser deixado em segundo plano por causa dos desdobramentos no Oriente Médio, além de poder ter que lidar com menos recursos para armamentos e um novo choque de preços causado pelo recuo na oferta de petróleo em todo o mundo.

Confira aqui os possíveis reflexos que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã pode trazer para a Ucrânia.

Israel anuncia "próxima fase" da guerra contra o Irã
As forças armadas israelenses afirmaram que estão preparando a "próxima fase" da guerra no Irã.

"Nesta fase, desmantelaremos ainda mais o regime e suas capacidades militares. Temos surpresas adicionais pela frente, que não pretendo revelar", afirmou o chefe militar israelense Eyal Zamir em um discurso televisionado.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que a "quantidade de poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar drasticamente".

Em comentários publicados pelo jornal israelense Haaretz, Zamir também fez um balanço da guerra até o momento.

Segundo ele, as forças israelenses dispararam 6 mil projéteis e destruíram 80% das defesas aéreas e 60% dos lançadores de mísseis balísticos do Irã. Já os americanos dizem ter atingido quase 200 iranianos nas últimas 72 horas, e afundado 30 navios.

Mais de mil pessoas morreram desde o início do conflito, a maioria no Irã.

gq (DW)

Trump apoia ofensiva curda a partir do Iraque
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à agência de notícias Reuters que apoiaria os grupos armados curdos estacionados na região montanhosa da fronteira entre o Irã e o Iraque para lançarem uma ofensiva terrestre.

"Acho maravilhoso que eles queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor", disse ele.

Uma coalizão de vários grupos curdos da oposição do Irã tem mantido contato com os EUA sobre uma ofensiva para atacar o oeste do país após o enfraquecimento das forças armadas iranianas, de acordo com a Reuters.

Os curdos estão divididos entre o Irã, o Iraque, a Turquia e a Síria. É somente no Iraque, onde agora gozam de autonomia de fato, que não estão sujeitos à repressão do governo.

No passado, os curdos sírios foram aliados importantes dos EUA na luta contra o chamado "Estado Islâmico", mas perderam o apoio de Washington depois que o ex-combatente islâmico Ahmed al-Sharaa se tornou presidente da Síria.

gq (DW)

Trump quer influir na escolha do novo líder do Irã e descarta filho de Khamenei
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao veículo americano Axios nesta quinta-feira que espera ter um papel na escolha do próximo líder do Irã após o aiatolá Ali Khamenei ter sido morto em ataques no início do sábado.

Trump descartou a possibilidade do filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, assumir o cargo. Ele que é visto como um dos favoritos entre os membros restantes do regime.

"O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã", disse Trump.

"O filho de Khamenei é fraco. Eu tenho que estar envolvido na nomeação, como aconteceu com Delcy", afirmou ele, referindo-se a Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina da Venezuela depois que forças dos EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro.

À agência de notícias Reuters, Trump também reforçou que quer estar "envolvido no processo de escolha" do próximo líder iraniano. "Não precisamos voltar a fazer isso a cada cinco anos, repetidamente", disse ele, sobre os ataques ao país do Oriente Médio.

O sucessor de Khamenei deve ser escolhido por um grupo de clérigos xiitas de alto escalão. Não está claro como Trump planeja influenciar essa decisão, mas seus comentários foram vistos como um sinal de que ele estaria disposto a trabalhar com alguém de dentro do regime, o que iria contra suas declarações anteriores.

Já Israel tem postura mais dura e prega o fim do regime.

gq/md (DW)

Como a guerra de EUA e Israel no Irã pode afetar o Brasil?
Mesmo pouco dependente do petróleo do Golfo, o Brasil deve sofrer efeitos da pressão inflacionária causada pelo conflito no Irã.

Especialistas afirmam que a alta na cotação do barril de petróleo pode gerar um aumento no diesel e, consequentemente, no preço do frete, atingindo o valor final da maioria dos produtos. Esse cenário pode ainda levar a uma pressão direta na taxa de juros.

Em termos de abastecimento, no entanto, o Brasil não deverá ser afetado. O país é praticamente autossuficiente em petróleo, e as importações do Oriente Médio, especialmente da Arábia Saudita, representam uma pequena parte do volume brasileiro total do combustível fóssil.

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Irã diz ter atacado petroleiro americano no Golfo Pérsico
A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou nesta quinta-feira ter atacado um petroleiro dos Estados Unidos no norte do Golfo Pérsico e que a embarcação está em chamas. "O petroleiro americano foi atingido no início desta manhã no norte do Golfo Pérsico por combatentes da força naval do Corpo da Guarda Revolucionária" disse o corpo militar de elite em nota.

O incidente, que ainda não foi confirmado por fontes independentes, ocorre em um momento em que as forças iranianas dizem ter "controle total" do Estreito de Ormuz, uma importante via de navegação para o comércio global de petróleo.

Ao menos nove embarcações foram atacadas desde o início do conflito entre os EUA, Israel e Irã no fim de semana.

Um petroleiro com bandeira das Bahamas foi alvo de um barco iraniano controlado remotamente e carregado com explosivos enquanto estava ancorado perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque, de acordo com relatos iniciais.

Um segundo petroleiro ancorado perto do Kuwait estava derramando petróleo e fazendo água após uma grande explosão em uma de suas laterais.

Centenas de navios aguardam passagem

Cerca de 200 navios, incluindo petroleiros, navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) e navios de carga, permaneciam ancorados em mar aberto na costa dos principais produtores do Golfo, de acordo com estimativas da agência de notícias Reuters com base em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.

Centenas de outras embarcações permaneciam fora do Estreito de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos. O Estreito de Ormuz é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e GNL.