Irã acusa EUA e Israel de atacar instalação nuclear em Natanz

O Irã acusou os Estados Unidos e Israel de terem atacado neste sábado (21) o complexo nuclear de Natanz, equipado com centrífugas subterrâneas capazes de enriquecer urânio para o polêmico programa nuclear iraniano.

No início de março, a república islâmica já havia denunciado um ataque a essas instalações, que foram bombardeadas na guerra de 12 dias de 2025 deflagrada por Israel.

As potências ocidentais suspeitam que o Irã tenta dotar-se da bomba atômica, apesar de suas contínuas negativas. Esse é um dos motivos alegados por Israel e pelos Estados Unidos para voltarem a realizar grandes ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.

“Após os ataques criminosos dos Estados Unidos e do regime sionista usurpador contra o nosso país, o complexo de enriquecimento de Natanz foi alvo de um ataque nesta manhã”, informou neste sábado a organização de energia atômica da república islâmica em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.

“Não foi detectado nenhum vazamento de materiais radioativos” na área, situada no centro do Irã, acrescentou.

O exército israelense afirmou “não estar a par de um ataque” desse tipo.

Desde a guerra de 2025, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retornaram ao Irã, mas não puderam visitar nenhuma das instalações atacadas.

O diretor dessa agência da ONU, que monitora o programa nuclear iraniano, Rafael Grossi, reiterou neste sábado, no X, “seu apelo à moderação militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear”.

Ele disse que o Irã o informou sobre um ataque ao complexo nuclear de Natanz, mas que não relatou “um aumento dos níveis de radiação” no exterior do local.

A Rússia, um aliado-chave de Teerã, também reagiu. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, classificou como “irresponsáveis” os supostos ataques.

“A comunidade internacional – incluindo os dirigentes da ONU e da AIEA – tem o dever de oferecer imediatamente uma avaliação objetiva e sem concessões dessas ações irresponsáveis, que representam riscos reais de catástrofe em toda a escala do Oriente Médio e que evidentemente buscam minar ainda mais a paz, a estabilidade e a segurança na região”, afirmou no Telegram.

Desde 28 de fevereiro, muitos dirigentes políticos, religiosos e militares iranianos morreram, mas o regime dos aiatolás continua de pé e contra-ataca diariamente lançando mísseis e drones contra interesses israelenses e americanos, assim como contra as monarquias petrolíferas do Golfo.

Teerã defende seu direito de desenvolver um programa nuclear com fins civis.

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