IPP de novembro é o 10º mês seguido de deflação, mostra IBGE

A queda de 0,37% no Índice de Preços ao Produtor (IPP) de novembro foi o décimo mês consecutivo de deflação no indicador, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Houve reduções também em fevereiro (-0,12%), março (-0,60%), abril (-0,12%), maio (-1,21%), junho (-1,27%), julho (-0,31%), agosto (-0,21%), setembro (-0,24%) e outubro (-0,47%).

Como consequência, o IPP acumulou queda de 4,66% no ano.

O IPP mede a evolução dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e fretes, da indústria extrativa e de 23 setores da indústria de transformação.

Atividades

Segundo o IBGE, a queda de 0,37% nos preços dos produtos industriais na porta de fábrica em novembro foi decorrente de reduções em 12 das 24 atividades pesquisadas.

O recuo de 3,43% nos preços do segmento de outros produtos químicos deu a principal contribuição para o resultado do IPP, responsável por -0,15 ponto porcentual.

“Este é um setor que acompanha bem de perto o movimento internacional, o que não foi diferente em novembro. Os produtos da extração de petróleo e gás e os da extração de minerais ferrosos acompanharam o movimento de recuo dos preços. Em sentido contrário, houve aumento de preços de minérios de cobre e seus concentrados, bruto ou beneficiado, um não-ferroso cujo preço acompanha, em particular, os preços do cobre na bolsa de Londres”, justificou Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia no IBGE, em nota do instituto.

Houve impacto relevante também das quedas em alimentos (-0,52% e impacto de -0,13 ponto porcentual), outros produtos químicos (-1,52% e impacto de -0,12 ponto porcentual) e refino de petróleo e biocombustível (-0,79% e -0,08 ponto porcentual).

O setor de alimentos foi responsável pelo principal impacto no IPP de mais longo prazo, contribuindo com -2,55 pontos porcentuais para a queda de 4,66% no IPP acumulado no ano e -2,16 pontos porcentuais para o recuo de 3,38% no acumulado em 12 meses. O resultado negativo é puxado por dois tipos de açúcares, arroz e resíduos da soja.

“No caso do açúcar, 2025 tem se mostrado um ano de oferta mundial robusta, com as exportações brasileiras em destaque. O caso da soja não é muito diferente, tendo sido importante a menor demanda exercida pela China. O arroz, por sua vez, teve também uma oferta , particularmente pela ausência de problemas climáticos como os ocorridos em anos anteriores”, completou Brandão.

O IBGE ressalta ainda que houve contribuição da desvalorização do dólar para a deflação no IPP.

“Além dos aspectos mais diretamente ligados à dinâmica dos mercados dos produtos, outro fator importante, que perpassa várias atividades industriais, foi o comportamento do câmbio, com a apreciação do real frente ao dólar (no ano, em 12,4%, entre novembro de 2024 e novembro de 2025, em 8,0%)”, apontou o IBGE.