IPCA de março reforça que BC não tem espaço para parar aperto monetário, diz Credit Suisse

IPCA de março reforça que BC não tem espaço para parar aperto monetário, diz Credit Suisse

SÃO PAULO (Reuters) – O maior IPCA para março desde o início do Plano Real corrobora a expectativa de que o Banco Central terá de continuar a subir os juros depois de maio, disse o Credit Suisse em relatório nesta sexta-feira.

“O resultado de hoje reforça nosso cenário de que o Banco Central precisará revisar suas projeções de inflação de 6,3% para 2022 e 3,1% para 2023 e, em seguida, revisar seu cenário-base para a política monetária de interromper o ciclo de aperto em maio”, disseram Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho.

Os profissionais do banco, surpresos com o número do IPCA, seguem estimando que o BC elevará a Selic em 100 pontos-base em maio, 75 pontos-base em junho e 50 pontos-base em agosto, levando a taxa para 14,0%, dos atuais 11,75%.

Por ora, contudo, não revisaram a projeção para a inflação, que segue em 7,8% para 2022, uma vez que, argumentam, a surpresa com o IPCA de março provavelmente será compensada pela recente queda nos preços do petróleo.

“No entanto, continuamos a ver um risco de alta para a inflação neste ano, uma vez que a inflação continua surpreendentemente alta, muito generalizada e a inflação global continua acelerando”, disseram.

“Os riscos para 2023 também estão voltados para cima, e, como destacamos, a inércia no Brasil aumenta com o aumento da inflação corrente.”

Por outro lado, a taxa de câmbio é vista pelo Credit Suisse como um dos principais fatores que podem sustentar o processo de desinflação.

“Se a moeda continuar se valorizando e permanecer por um período considerável em patamar mais valorizado, vemos espaço para um cenário mais favorável para a inflação em 2023, que o Banco Central poderia usar para justificar o fim do ciclo de aperto em junho.”

 

(Por José de Castro)

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