Nos últimos dois anos, o mercado de seguros alavancou. Segundo a 22ª edição do Boletim IRB+Mercado, produzido com base nos dados publicados em agosto pela Susep (órgão que regula o setor), o segmento de seguros cresceu 19,6% (13,1 bilhões) no primeiro semestre de 2022. Embora seja difícil bater os recordes de crescimentos anteriores, os investimentos desse primeiro período são um grande combustível para as iniciativas digitais.
“Além da pandemia, as apólices de seguro de vida, o aumento de sinistralidades, o advento das startups e das iniciativas de venda digital foram um impulso para o setor e fez com que o seguro entrasse nos planejamentos financeiros e familiares. Até olhando para o outro lado, antes o seguro era contratado para algo mais simples, como o carro e vida, hoje, com soluções cada vez mais inovadoras e tecnológicas é possível encontrar seguro viagem, para pet, bolsa, bicicleta e etc”, analisa Luiz Bacellar, cofundador e CEO da Saks, savetech focada em previdência privada.
Uma das insurtechs que está dentro deste cenário de expansão e inovação é a WinSocial, plataforma digital de seguros focada em pessoas com condições crônicas, que elevou seu faturamento em 70% no primeiro semestre de 2022 e teve um aumento de 34% em vendas online. “Temos uma série de objetivos a serem alcançados, um deles é aumentar em 600% a base de segurados e saltar em faturamento de R$6,1 milhões em 2021, para R$ 14,6 milhões este ano”, explica Rafael Rosas, Diretor da insurtech.
Fundada em 2018, hoje, a startup tem como propósito privilegiar e valorizar atitudes saudáveis, recompensar pessoas que cuidam da saúde e possibilitar um maior acesso ao seguro. “A ideia é agregar qualidade ao mercado, promovendo a inclusão de pessoas que são penalizadas no seguro de vida. Não queremos ser um seguro comum, o que a gente faz é cuidar da vida das pessoas, refletindo no acesso do produto, na precificação e personalização dele, inclusive, com lançamentos de programas saudáveis”, explica Rafael Rosas, diretor da startup.
Segundo a análise do Digital Insurance, entre os dias 1º e 31 de agosto deste ano, houve cerca de 30 rodadas de financiamento no setor de insurtech. Ou seja, embora a alta de juros pelo Fed, Banco Central Americano, que pode reduzir o capital para as insurtechs tenha sido notada, as companhias desse setor estão revendo estratégias e investindo em novas oportunidades para a geração de lucro.
A Simple2u, seguradora on demand, faz parte do mesmo grupo da WinSocial e é uma aposta de inovação da tradicional MAG Seguros. A startup foi lançada este ano, nasceu dentro do Sandbox – criado pela Susep – e veio com a promessa de acompanhar novas demandas, que buscam mais flexibilidade e diferenciais competitivos comparados às ofertas mais tradicionais.
Além de oferecer um plano que pode ser ativado e desativado a qualquer momento (liga/desliga), seus produtos atuais são para proteção contra acidentes pessoais e despesas médicas, coberturas para residências com função de moradia e atividade comercial, além de coberturas para residências de temporada. Ainda esse ano, serão incluídos os seguros para smartphones, notebooks e bicicletas. Todos os seguros acompanham opções de assistências voltadas para a casa, carro, bicicleta e bem-estar do segurado. São mais de 50 opções que podem ser escolhidas pelo cliente.
Os segmentos mais abordados no momento são para o mercado imobiliário, em especial as proptechs, e as plataformas que servem aos profissionais liberais, hoje representando mais de 40% da força de trabalho do país. “Como o conceito é novo, entendemos que essa ‘fase de educação’ se dará pela parceria com empresas onde os seguros irão trazer ganhos aos clientes atrelados à sua cadeia de consumo. Esse modelo é conhecido hoje como embedded insurance”, explica Leonardo Lourenço, diretor da insurtech. Ainda segundo o especialista, a expectativa é obter cerca de 50 mil clientes até o final de 2023 e receita superior a R$150 milhões no quinto ano de operação.