Economia

Investimento estrangeiro cresceu na América Latina, estimulado por Brasil e México

Investimento estrangeiro cresceu na América Latina, estimulado por Brasil e México

(Arquivo) Centro de São Paulo em 23 de junho de 2017 - AFP/Arquivos

O investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina cresceu 13,2% em 2018 em relação ao ano anterior, totalizando 184,287 bilhões de dólares, em seu primeiro registro positivo em cinco anos na região – informou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) nesta quarta-feira (14).

Na contramão da tendência mundial, o IED mostrou grande heterogeneidade entre os países da região, com Brasil e México como grandes motores da expansão.

De forma geral, o avanço regional do IED se explica pelo aumento “do reinvestimento de lucros e empréstimos entre empresas”, e “não se fundamentou na receita de aportes de capital, que seria a fonte mais representativa do renovado interesse das empresas em se instalar nos países da região”, explica o relatório.

“A maior parte do crescimento do IED em 2018 é explicada pelos maiores investimentos no Brasil (88,319 milhões de dólares, 48% do total regional) e no México (36,871 milhões de dólares, 20% do total)”, acrescenta o relatório da agência das Nações Unidas, com sede em Santiago.

A Argentina recebeu 11,873 bilhões de dólares em IED, 3,1% a mais que no ano anterior, enquanto a Colômbia ficou em quarto lugar, com 11,352 bilhões de dólares, apesar de registrar uma queda de 18% em relação a 2017.

Apesar da expansão, “preocupa que a contribuição de capital, que é a mais importante no longo prazo, caiu 20% entre 2017 e 2018”, alertou em coletiva de imprensa a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, que lembrou que os empréstimos entre as empresas são “o componente mais volátil” quando se trata de medir o investimento.

A maior parte do capital que entrou na região veio da Europa e dos Estados Unidos, concentrando seus investimentos no México e na América Central.

Já a China – o principal parceiro comercial de vários países do Cone Sul – “perdeu participação em fusões e aquisições na América Latina e no Caribe”, acrescentou a agência.

– Colapso do IDE em 2019 –

A perspectiva dos fluxos de investimento para a região em 2019 “não é animadora”, alerta a Cepal, que prevê uma queda de até 5% nos fluxos de IED.

“Estamos diante de uma situação internacional complexa que não está favorecendo o IED para nossas regiões” e “as projeções em nossa região de crescimento não são muito positivas, por isso não nos torna muito atraentes”, disse Bárcena.

No fim de julho, a Cepal previu que a América Latina e o Caribe crescerão em média 0,5% este ano.

As turbulências globais, somadas à crescente proteção de ativos dos países desenvolvidos, trazem más notícias, especialmente para o Brasil.

A queda do IED “vai se concentrar no Brasil. Nossa estimativa é que caia 15% (…) Já no México, terá um pequeno aumento, de cerca de 2,5%”, avaliou Bárcena.

Em 2018, a Argentina ficou atrás do Brasil e do México na lista, mas para o ano que vem a perspectiva é negativa.

“A Argentina é um mistério. Acho que para todos”, disse Bárcena.