Comportamento

Investigação nos EUA aponta que Cambridge Analytica enganou usuários do Facebook

Investigação nos EUA aponta que Cambridge Analytica enganou usuários do Facebook

Alexander Nix, ex-diretor-executivo da Cambridge Analytica, em 2018 - AFP/Arquivos

As autoridades reguladoras dos Estados Unidos concluíram nesta sexta-feira que a consultoria britânica Cambridge Analytica, que estava no centro de um escândalo de roubo de dados através do Facebook, enganou os usuários da rede social para coletar e usar suas informações pessoais.

A Comissão Federal de Comércio (FTC) informou que a investigação iniciada em março de 2018 concluiu que a empresa de consultoria política, que não existe mais, “se envolveu em práticas enganosas para coletar informações pessoais de dezenas de milhões de usuários do Facebook” para definir seus perfis políticos e transformá-los em público-alvo de campanha.

A FTC divulgou que a empresa britânica, que trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump em 2016, fez alegações “falsas e enganosas” quando ofereceu aos usuários do Facebook um “questionário de personalidade”, afirmando que não utilizaria seus nomes ou qualquer outra informação de identificação pessoal.

O caso gerou um escândalo sobre a proteção de dados quando foi revelado que a Cambridge Analytica poderia criar perfis psicológicos usando informações de milhões de usuários do Facebook por meio da coleta de dados.

O aplicativo de previsão de personalidade foi acessado por 270 mil pessoas, mas também coletou dados de seus amigos dentro da rede social. Com estas informações, a empresa desenvolveu um sistema de análise para prever o comportamento dos eleitores americanos.

Ainda não está claro qual será o impacto das descobertas da FTC.

A comissão emitiu uma ordem que proíbe a Cambridge Analytica, fechada em 2018, de fazer declarações falsas sobre como utilizava os dados pessoais e exige o cumprimento de um acordo de privacidade entre os Estados Unidos e a União Europeia.

A FTC chegou a um acordo no início deste ano com o ex-CEO da Cambridge Analytica Alexander Nix e com o desenvolvedor de aplicativos Aleksandr Kogan, que exige que eles apaguem ou destruam qualquer informação pessoal que coletaram.

Numa investigação independente, o Facebook descobriu que dados de cerca 87 milhões de usuários foram acessados e que as práticas violavam os termos de serviço da rede.