O Ministério Público de Roma abre investigação para apurar o possível envolvimento de cidadãos italianos nos crimes sexuais ligados ao financista pedófilo americano Jeffrey Epstein, falecido em 2019 em uma prisão de Nova York. A promotoria enviou um pedido formal de cooperação ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, buscando acesso a documentos do caso, incluindo trechos inéditos.
- O Ministério Público de Roma inicia uma investigação para apurar o possível envolvimento de cidadãos italianos nos crimes sexuais do financista Jeffrey Epstein.
- A apuração foi motivada por uma denúncia da associação Differenza Donna e busca acesso a documentos judiciais dos Estados Unidos.
- A investigação visa mapear a presença de italianos no esquema de exploração e tráfico de menores, liderado por Epstein e Ghislaine Maxwell.
A apuração, revelada neste sábado (5) pelo jornal La Repubblica, parte de uma denúncia apresentada em março pela associação italiana Differenza Donna, que atua na defesa de mulheres vítimas de violência. A entidade solicitou que as autoridades italianas investigassem possíveis crimes transnacionais de tráfico de pessoas, violência sexual e exploração de mulheres e menores, conforme citado nos arquivos do caso Epstein.
Detalhes da investigação e cooperação internacional
Os documentos já divulgados nos Estados Unidos, segundo a denúncia, fazem referências frequentes a diversas localidades italianas, como Capri, Costa Amalfitana, Costa Esmeralda, Milão e Roma. Este fato reforça a necessidade de uma apuração aprofundada em território europeu.
A investigação é coordenada pelo procurador-adjunto Maurizio Arcuri e está em fase inicial. O objetivo principal é mapear a presença de italianos no esquema criminoso montado por Epstein e por sua cúmplice Ghislaine Maxwell, condenada em 2022 por aliciar e traficar menores para fins sexuais.
Como as autoridades italianas avaliam os indícios?
A associação Differenza Donna celebrou a abertura do inquérito, mas fez uma ressalva importante ao destacar que a simples menção a um nome nos arquivos não configura, por si só, envolvimento criminal. A cautela é fundamental para evitar injustiças.
As advogadas da associação, Teresa Manente e Ilaria Boiano, enfatizaram a indispensabilidade de uma investigação rigorosa. Segundo elas, é crucial separar relações sociais de condutas criminosas e, ao mesmo tempo, não deixar inexplorados elementos que possam indicar violência sexual ou outras formas de participação no esquema macabro.
O histórico do caso Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein foi detido em julho de 2019, sob a acusação de comandar por anos uma extensa rede de exploração sexual de menores. Ele faleceu na prisão antes de ser julgado, e a causa oficial de seu óbito foi declarada como suicídio, embora haja muitas especulações.
Desde a sua morte, documentos judiciais foram liberados, citando dezenas de nomes de políticos, empresários e celebridades que mantinham proximidade com o pedófilo. Entre os nomes mencionados, figura o do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que demonstra a amplitude e o alcance das relações de Epstein.