MADRID, 19 MAR (ANSA) – Uma investigação conduzida pelo jornal espanhol “El País”, em parceria com diversos veículos internacionais, revelou novos documentos que indicam que o Vaticano teria acobertado casos de abuso sexual contra menores dentro da Igreja Católica por décadas.
O trabalho, realizado em conjunto com organizações de imprensa da Alemanha (Correctly), Estados Unidos (The Boston Globe), Portugal (Observador) e Colômbia (Casa Macondo), analisou arquivos históricos que remontam à década de 1930 e foi publicado pelo diário espanhol nesta quinta-feira (19).
Segundo os documentos, a alta cúpula eclesiástica já possuía conhecimento de denúncias muito antes de 2001 ? ano que, até então, era apontado como o início da centralização dessas informações em Roma.
Entre as revelações, há indícios de que, ainda durante o regime nazista, foram emitidas diretrizes internas para evitar que registros sensíveis caíssem nas mãos do governo do ditador Adolf Hitler (1889-1945). Isso sugere que a Igreja já mantinha protocolos de sigilo sobre denúncias delicadas.
Outro ponto destacado envolve o então cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento XVI.
Documentos indicam que, em 1986, quando ocupava o cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ele já tinha conhecimento dos crimes cometidos pelo padre Peter Hullermann.
O religioso foi transferido de uma diocese para outra apesar de ter sido condenado por abuso sexual.
A investigação aponta também que, apesar das novas evidências, o Vaticano “continua sem dar respostas” de forma clara sobre a forma como a Igreja lidou com os abusos sexuais.
Além disso, o El País ressaltou a necessidade de abertura completa dos arquivos da Igreja para esclarecer a extensão dos abusos e as responsabilidades institucionais ao longo do tempo.
(ANSA).