Investidor recua de plano de US$ 4,2 bi para a Fifa

Joshua Kushner, CEO da Thrive Capital, cita "dinâmica política" do futebol global ao desistir de projeto bilionário com a entidade

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NOVA YORK – O investidor Joshua Kushner, CEO da Thrive Capital, admitiu que sua empresa “não compreendeu a dinâmica política do futebol mundial”, recuando de uma iniciativa para atrair investimentos privados para competições da Fifa. A declaração marca a primeira vez que Kushner se pronuncia publicamente sobre a frustrada proposta de US$ 4,2 bilhões para criar uma subsidiária comercial para a entidade máxima do futebol.

O empresário americano é irmão de Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Joshua Kushner rejeitou a ideia de que a iniciativa tivesse como objetivo assumir o controle da Fifa, um tema que já gerou tensões e discussões sobre a crise na Fifa e o papel de figuras políticas.

  • A Fifa vê o investidor Joshua Kushner retirar uma proposta de investimento privado bilionário.
  • Kushner, CEO da Thrive Capital, justificou o recuo afirmando que a empresa “não compreendeu a dinâmica política do futebol global”.
  • A iniciativa previa um investimento de aproximadamente US$ 4,2 bilhões para uma subsidiária comercial da entidade, visando maior equidade entre os 211 países membros.

Por que a iniciativa foi rejeitada?

“Era uma ideia sobre a qual cada Associação Membro votaria, não uma obrigação ou determinação. Embora apoiemos as motivações da FFE, não conseguimos compreender a dinâmica política do futebol global e até onde alguns chegariam. A Thrive tem um longo histórico de parceria com todos os seus constituintes. Se soubéssemos no que isso se transformaria, não teríamos nos envolvido”, escreveu Kushner.

A desistência do investidor ocorre em um contexto de intensa fiscalização sobre as propostas da entidade, com a Uefa e outras federações já tendo demonstrado preocupação com a venda de competições. A proposta do projeto envolveria a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), que geraria uma nova estrutura para gerir os direitos de transmissão televisiva, contratos de patrocínio, licenciamento e venda de ingressos da Fifa. Essa iniciativa já havia provocado uma reação pública imediata, a ponto de diversas entidades pressionarem o órgão internacional a abandonar a iniciativa, similarmente a como a FIGC já retirou o apoio ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Quais seriam os benefícios da Fifa Forward Enterprise (FFE)?

“Historicamente, o dinheiro no futebol tem se concentrado em um pequeno grupo de países. A ideia por trás da FFE era direcionar mais capital e participação acionária de forma igualitária entre os 211 países membros, proporcionando um investimento significativamente maior em nações subdesenvolvidas para nutrir talentos locais, apoiar o futebol de base, aprimorar a experiência dos torcedores e, em última instância, expandir o futebol globalmente”, acrescentou Kushner, em sua primeira declaração pública sobre o assunto, que também coincide com recuos em outras propostas da Fifa.

Kushner, cuja empresa é conhecida por realizar grandes investimentos em companhias de tecnologia e por um acordo recente para adquirir o controle majoritário do Los Angeles Lakers, tradicional equipe da NBA, é descrito como um democrata de longa data, ao contrário do irmão. O projeto rejeitado previa que a Fifa transferisse seus ativos geradores de receita, incluindo direitos de transmissão televisiva, contratos de patrocínio, licenciamento e venda de ingressos, para uma nova entidade. A Thrive seria a empresa âncora do negócio, com consultoria do JPMorgan Chase.

Da IstoÉ com ANSA