Com pelo menos quatro operações policiais na semana, o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, viveu dias de terror. A organização local Redes da Maré denunciou, em nota, invasões em casas de moradores, agressões físicas, roubos e violência que resultou em morte. Ao todo, 120 mil pessoas foram impactadas diretamente, das 140 mil que residem na região.

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“Tivemos registro de, pelo menos, quatro invasões de domicílio, três danos ao patrimônio, três eventos de subtração de pertences, duas ocorrências de violências físicas, uma pessoa ferida e, lamentavelmente, a retirada de uma vida”, informou a organização.

Serviços essenciais, como atendimento em unidades de saúde, foram interrompidos: cinco das sete UBSs deixaram de realizar mais de 2,5 mil atendimentos durante três dias, além da falta de ambulâncias. As escolas também foram impactadas, com 44 escolas municipais e quatro estaduais sem aula, interrompendo a educação de pelo menos 18 mil estudantes.

Nas redes sociais, o governador Claudio Castro vem mostrando o saldo das operações, que prevêem ação de pelo menos 1 mil policiais. Apreensão de pasta base de cocaína, de maconha, retirada de barricadas, veículos e armas apreendidos, entre outros feitos da polícia estadual. Não se viu, no entanto, nenhuma postagem do governo estadual a respeito do homem morte nesta sexta-feira, 13, na comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, na Zona Oeste da capital.

“Há uma crença de que é apenas nas favelas e periferias que estão as redes ilícitas e criminosas, e, talvez seja, por isso, que é nas favelas da Maré, por exemplo, e não na Barra, que a população é submetida ao terror de operações policiais e violações de direitos generalizadas”, mostra a nota da Redes da Maré.

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Na última semana, o ministro da Segurança Pública, Flávio Dino, autorizou envio da Força Nacional. A pedido do governador Cláudio Castro, há um total de R$ 247 milhões em recursos federais alocados no Rio de Janeiro, entre eles os R$ 95 milhões destinados para a construção de presídios de segurança máxima.

“Operação, correria, medo e tensão durante o feriado. As operações policiais inviabilizam a rotina dos cidadãos de favela e ignoram a possibilidade de lazer e de descanso. Nesta manhã, em meio ao feriadão acontece a 4ª operação policial no Complexo da Maré, somente nessa semana. Quem precisa sair para trabalhar, sai sob o risco dos tiros e quem fica em casa também não se sente seguro”, escreveu a deputada estadual Renata Souza (PSOL) nas redes sociais.

Uma equipe da ong está disponível, com o núcleo de Direito à Segurança Pública e acesso à Justiça, no Polo da Redes na Vila do Pinheiro, na Via A1, S/N, ao lado do Ciep Gustavo Capanema. Para denúncias, os moradores também podem enviar mensagens via Whastapp no (21) 99924-6462.


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