“Inundações no Nepal”: mortos sobem para 626; milhares desaparecidos

Catástrofe na fronteira com a China deixa milhares de desaparecidos e exige bilhões para reconstrução

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O número de mortos pelas devastadoras inundações que atingiram a fronteira entre Nepal e China, na última quarta-feira (26), subiu para 626, com 2.426 pessoas desaparecidas, conforme a atualização divulgada neste sábado (29) pela Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRMA) do Nepal. As equipes de emergência continuam as operações de busca e resgate em meio à crescente crise humanitária.

  • As inundações no Nepal e na China já mataram 626 pessoas e deixaram 2.426 desaparecidas.
  • O país estima um custo inicial de até US$ 5 bilhões para a reconstrução após a catástrofe.
  • China e Índia enviaram equipes especializadas para auxiliar nas operações de busca e resgate.

A NDRMA detalhou que o novo balanço supera os 616 óbitos registrados anteriormente pela polícia nepalesa. O número de desaparecidos também aumentou significativamente em relação ao boletim da véspera, que contabilizava 1.924 pessoas nessa situação.

As autoridades chinesas, por sua vez, mencionaram outros 558 cidadãos desaparecidos. Como ainda não está claro se há sobreposição entre os diferentes registros, o número total de desaparecidos pode se aproximar de 3 mil, elevando a preocupação com a extensão da tragédia.

Impacto econômico e a resposta humanitária

Além da crise humanitária, o Nepal já começou a avaliar o impacto econômico do desastre. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, afirmou que o país poderá precisar de entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a reconstrução. Segundo ele, trata-se de uma estimativa inicial, já que o levantamento completo dos danos ainda está em andamento e pode revelar números ainda maiores.

Paralelamente, o governo do Nepal também solicitou assistência técnica e especializada a países amigos para reforçar as operações de busca e resgate de pessoas que permanecem presas em um túnel de usina hidrelétrica na região de Bhotekoshi.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, Katmandu pediu tecnologia avançada para localizar e identificar as vítimas, além de apoio para acelerar análises de DNA, identificação de corpos e o gerenciamento dos restos mortais.

Equipes da China e da Índia foram mobilizadas para auxiliar nos trabalhos. Dois contingentes técnicos chineses são esperados no Nepal para iniciar as operações, enquanto uma equipe indiana de 11 especialistas, formada por profissionais médicos e especialistas em resgate em túneis, já chegou a Katmandu.

Os socorristas nepaleses enfrentam dificuldades para acessar os túneis, que foram bloqueados por lama, pedras e sedimentos carregados pelas águas, o que dificulta o trabalho e diminui as chances de encontrar sobreviventes.

Haverá mais histórias de sobrevivência?

Em meio à devastação, uma história de sobrevivência trouxe alívio a uma família. Zoyal Ghale, de 8 anos, foi encontrado vivo em um hospital depois de ter subido em uma árvore para escapar das enchentes. O menino conseguiu reencontrar a mãe após dois dias, graças, em parte, à atuação de uma equipe da Reuters.

Em 26 de agosto, Zoyal e o irmão estavam a caminho da escola no distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, quando uma avalanche de lama e rochas atingiu o vale. De acordo com o relato da mãe, Matti Maya Tamang, de 28 anos, o deslizamento foi provocado pelo colapso de parte de uma geleira próxima ao cume do Langtang Lirung.

A família conseguiu localizar um dos filhos, mas não tinha notícias de Zoyal e chegou a temer que ele tivesse morrido. Na quinta-feira, a repórter da Reuters Sahana Bajracharya e sua equipe encontraram o garoto no Hospital Chakra Dev, no distrito de Nuwakot. Zoyal aceitou ser filmado na esperança de que as imagens ajudassem a localizar seus familiares. A jornalista deixou seu número de telefone no hospital.

Depois de procurar pelo filho em diferentes hospitais, Tamang conseguiu obter o contato da repórter e telefonou para ela. A ligação confirmou que Zoyal estava vivo, permitindo finalmente o reencontro entre mãe e filho.

Da IstoÉ com ANSA.