As fortes inundações repentinas e deslizamentos de terra na fronteira entre Nepal e China já causaram a morte de mais de 900 pessoas, enquanto quase 5 mil seguem desaparecidas. A tragédia, desencadeada pelo colapso de uma geleira no Himalaia na última quarta-feira, 26 de agosto, atinge principalmente o Nepal e a região do Tibete.
- As inundações e deslizamentos entre Nepal e China resultaram em mais de 900 mortos e quase 5 mil desaparecidos.
- A Agência Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA) confirmou que 4.247 indivíduos estão desaparecidos apenas no Nepal.
- A catástrofe foi iniciada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, que gerou uma avalanche de detritos e lama devastadora.
De acordo com o balanço divulgado pela Agência Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA) na manhã desta segunda-feira, 31 de agosto, pelo menos 903 corpos já foram recuperados pelos socorristas, um crescimento expressivo em relação à cifra de 781 publicada no domingo, 30 de agosto.
Além disso, 4.247 indivíduos estão desaparecidos no país, sendo 3.655 nepaleses e 592 estrangeiros. Esse número também inclui 933 trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas e 102 soldados, policiais e agentes de fronteira.
O impacto devastador no Tibete
No lado chinês, onde uma avalanche de lama destruiu o movimentado posto de fronteira de Gyirong, já foram confirmados pelo menos 16 óbitos no Tibete, onde 546 pessoas estão desaparecidas.
Qual a causa da tragédia no Himalaia?
A tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, cordilheira que abriga os picos mais altos do planeta.
Enormes blocos de gelo se desprenderam e arrastaram uma massa de detritos, incluindo rochas, árvores, sedimentos e a água de lagos represados nas montanhas.
Essa avalanche atingiu primeiro o posto de fronteira de Gyirong, no Tibete, como documentado por imagens impressionantes de câmeras de segurança no local, que mostram a lama encobrindo e derrubando construções.
A massa de detritos seguiu rumo ao Nepal e provocou a cheia repentina do rio Bhote Koshi, que deixou diversos vilarejos sob um mar de lama. Muitas pessoas sequer tiveram tempo de fugir.
A espera angustiante por desaparecidos
“Podemos apenas esperar” — Um dos quase 5 mil desaparecidos no Himalaia é o italiano Luca Barachini, que viajava ao lado da esposa, Patrizia Marziale, ambos de 52 anos. O casal está no Himalaia desde 15 de agosto e entrou em contato pela última vez com familiares na madrugada de 26 de agosto, poucas horas antes das inundações.
“Podemos apenas esperar”, disse o irmão de Barachini nesta segunda-feira. Os dois italianos vivem atualmente na Suíça; Barachini é gestor em uma empresa do setor financeiro, e Marziale trabalha em uma seguradora.