Brasil

Intervenção relâmpago

Bolsonaro conseguiu fazer o que Moro se recusou e o ministro Alexandre de Moraes proibiu: nomeou para a PF um diretor-geral que ele possa manipular

Crédito:  Isac Nóbrega/PR

TUDO DOMINADO Bolsonaro dá posse na direção da PF a Rolando de Souza (apertando a mão do presidente) e reafirma o aparelhamento político da instituição (Crédito: Isac Nóbrega/PR)


O AMIGO Alexandre Ramagem chegou a ser nomeado para a PF, mas foi impedido de assumir pelo STF (Crédito:Divulgação)

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. O presidente Jair Bolsonaro apropriou-se desse ditado popular para, finalmente, impor as mudanças que desejava na Polícia Federal e que o ministro Sergio Moro tanto resistiu. Trocou, em uma só tacada, o diretor-geral da PF e removeu o superintendente da instituição no Rio de Janeiro, que era tudo o que ele tanto queria nos últimos meses, para obter o controle total sobre a polícia, com a interferência em processos, sobretudo os que envolvem seus filhos, especialmente Flávio Bolsonaro, com os crimes que são investigados no Rio de Janeiro, e Carlos Bolsonaro, acusado de ser o chefe das milícias digitais que atacam até mesmo autoridades do STF. O alvo principal dessa sua sanha ensandecida de deixar a PF aos seus pés foi a substituição de Maurício Valeixo da direção-geral, cuja exoneração acabou motivando o pedido de demissão do ex-juiz da Lava Jato do Ministério da Justiça. A ideia inicial era nomear o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para o cargo, mas as ligações dele com seus filhos, além do relacionamento estreito que mantinham, levou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a barrar a posse. Bolsonaro desejava ter, com Ramagem, acesso aos inquéritos e dar um jeito de salvar a pele dos seus rebentos.

“Moro era o homem público de maior credibilidade do governo. A Operação Lava Jato passou ainda mais credibilidade para a Polícia Federal” Major Olímpio, senador (PSL-SP) (Crédito:Edilson Rodrigues)

Como essa jogada não deu certo, Bolsonaro tirou uma carta da manga e nomeou para a PF, de forma relâmpago, o amigo do amigo: Rolando Alexandre de Souza, ex-secretário de Planejamento da Abin, chefiada por Ramagem. Ficou tudo como o presidente sempre quis: alguém na PF que ele possa comandar e quem duvidou das declarações de Moro sobre as pressões para o controle da PF, agora não tem mais nada a questionar. Tudo foi feito de forma legal, mas o arranjo não cheira bem. Rubens Nunes, coordenador-geral do Movimento Brasil Livre (MBL), entrou com ação na Justiça, que concedeu 72 horas para o presidente explicar as mudanças na PF. “Elas confirmam a intenção do presidente em obter vantagens ilícitas”, denunciou Nunes.

MILÍCIAS O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) diz não ter dúvidas de que a PF tem informações sobre as milícias no Rio (Crédito:LUIS MACEDO)

Protegendo a prole

As conversas expostas por Moro, contudo, davam conta de que o principal foco do presidente era mesmo mudar o superintendente da PF no Rio de Janeiro, delegado Carlos Henrique de Oliveira. Em uma conversa com Moro, Bolsonaro chegou a lhe dizer: “você tem 27 superintendências e eu só quero uma, a do Rio de Janeiro”. Na PF do Rio estão concentradas várias investigações contra o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro, acusado de pôr em prática um sistema de rachadinha com funcionários de seu gabinete e que o levou, inclusive, ao seu enriquecimento ilícito, conforme investigações do MP-RJ.

Com a intervenção consumada na direção-geral, Bolsonaro pode, então, mudar o superintendente do Rio. A jogada do presidente foi promover Carlos Henrique para ser o segundo de Rolando de Souza no comando da PF em Brasília e tirá-lo do caminho. Segundo o senador Major Olímpio (PSL-SP), Carlos Henrique “caiu para cima”. A nova função o tira da linha de frente das investigações no Rio que tanto incomodavam o presidente. A tão esperada mudança no Rio ocorreu a toque de caixa: o delegado Tácio Muzzi foi alçado ao cargo de superintendente da PF carioca. Para Major Olímpio, a crise criada causa grande tristeza na PF. “O sentimento dos policiais federais é de intervenção política na instituição”.


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Bolsonaro alega em sua defesa que a PF não trabalhava a contento. Queixou-se de que houve muito empenho na apuração no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e nenhum na investigação sobre possíveis mandantes da facada desferida por Adélio Bispo de Oliveira durante campanha presidencial. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) constesta o presidente: “é uma comparação que está somente no subconsciente dele”. Freixo explica que a investigação sobre a morte da vereadora não é feita pela PF e sim pela polícia estadual do Rio, enquanto que no caso da facada a investigação já foi encerrada pela Justiça. Freixo diz que a verdade é que o próprio presidente teme que as investigações da PF envolvam seus familiares. “Bolsonaro defendeu a legalização de milícias e todos sabem das ligações entre os milicianos e o crime organizado”. Enfim, Bolsonaro quer proteger sua pele e a da sua prole.

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