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Instituto Butantan afirma que crítica de Bolsonaro à China atrasa a chegada de vacinas

Instituto Butantan afirma que crítica de Bolsonaro à China atrasa a chegada de vacinas

(ARQUIVO) Funcionários trabalham na linha de produção da vacina CoronaVac, no Centro de Produção Biomédica do Butantan, em São Paulo, em 14 de janeiro de 2.021 - AFP/Arquivos


O Instituto Butantan afirmou nesta quinta-feira(6) que as reiteradas críticas do governo brasileiro à China afetam a chegada de insumos para a fabricação da principal vacina usada pelo Brasil contra a covid-19, após novas declarações do presidente Jair Bolsonaro.

“Obviamente essas declarações têm impacto e estamos à mercê dessa situação”, disse em entrevista coletiva Dimas Covas, diretor do instituto Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo.

Covas respondia a uma pergunta sobre o possível impacto dos comentários de Bolsonaro, que na quarta-feira deu a entender que a China fabricou o vírus como parte de uma “guerra química e bacteriológica”.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual país registrou o maior crescimento do PIB? Não vou contar para vocês”, declarou. A China é o único membro do G20 a registrar crescimento econômico em 2020.

“Essas liberações estão acontecendo mas em um volume menor do que poderiam acontecer.” e “isso nos preocupa muito”, admitiu Covas. “Podem faltar [insumos]. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra”, acrescentou.

Os atrasos ocorrem em um momento em que o Brasil registra mais de 2.300 mortes por dia em média semanal e totaliza quase 415 mil mortes, saldo superado apenas pelos Estados Unidos.

O Butantan produz a vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, o mais difundido no país sul-americano.

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Mas a falta de suprimentos obrigou esta semana a adiar a aplicação da segunda dose em muitos estados, por conta do atraso nos embarques da China, disse Covas.

As dificuldades na obtenção de vacinas para o país precipitaram a queda do chanceler Ernesto Araújo no mês passado, que também criticou várias vezes o governo comunista chinês.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no final de abril, sem saber que estava sendo filmado, que “o chinês inventou o vírus”, embora depois se desculpasse.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro enfrenta as autoridades paulistas por causa de vacinas e restrições à contenção do vírus, principalmente com o governador João Doria, um de seus possíveis adversários nas eleições de 2022.

Uma comissão parlamentar iniciou seus interrogatórios nesta semana para determinar as possíveis responsabilidades do governo na falta de controle da pandemia.

Uma missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que em janeiro investigou a origem do coronavírus em Wuhan concluiu que é “extremamente improvável” que o patógeno tenha se originado no laboratório de segurança máxima da cidade chinesa.

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