O inquérito da Polícia Civil de São Paulo que levou à intimação do bilionário Henrique Dubugras – empresário que fechou parte de Fernando de Noronha para um casamento de luxo com Bill Gates na lista de convidados – teve início com um boletim de ocorrência registrado por uma automecânica em São Caetano do Sul, no ABC paulista.

A investigação trata de suposto estelionato e falsidade ideológica. O empresário nega qualquer envolvimento com o caso.

A empresa se queixou do uso de seu CNPJ para emitir cobranças. Segundo a automecânica relatou à Polícia, estavam utilizando seus dados para vender produtos pela internet, sendo que os objetos não eram entregues – ou seja, para aplicação de golpes, com a montagem de um ‘e-commerce fake’.

O representante legal da empresa compareceu, em março deste ano, à 7ª Delegacia de Polícia da Lapa pra prestar declarações sobre o caso, reiterando as informações que foram passadas aos policiais de São Caetano do Sul e apresentando uma série de documentos para abastecer as apurações.

O próximo passo dos investigadores foi então levantar os dados de três empresas responsáveis pelas transações financeiras do e-commerce, entre elas a Pagar.me – empresa de pagamentos online criada por Dubugras.

A polícia então intimou os proprietários das companhias a comparecerem à 7ª DP, mas eles não se apresentaram.

No caso de Dubugras, os advogados Alan Humberto Jorge e Tiago Zanella encaminharam aos investigadores uma petição relatando que o empresário não era diretor da Pagar.me à época das fraudes. O bilionário integrou os quadros da empresa entre 2013 e 2016 – ano em que a startup foi vendida para a Stone.

A polícia então foi atrás do atual diretor e sócio da empresa, Mateus Cherer Schwening, que também não compareceu à delegacia. Por meio de seus advogados, a Pagar.me alegou no inquérito que apenas viabilizam pagamentos em transações comerciais, não participando da operação de compra e venda, mas apenas repassando os valores.

Alegação similar foi apresentada pela defesa de uma outra empresa instada no bojo da apuração, a VTEX. A companhia sustentou que apenas fornece recursos tecnológicos para que terceiros criem e administrem seus próprios sites.

Pivô da intimação de Dubugras perante a Polícia de São Paulo, a Pagar.me também está no centro da ação que levou um oficial de Justiça a notificar o bilionário às vésperas de seu casamento em Fernando de Noronha.

O processo em questão foi movido por Henrique Duarte Coelho, que sustenta ter sido sócio de Dubugras na criação da Pagar.me e não ter recebido o pagamento devido pela venda da companhia.

Depois Dubrugras fundou a Brex, empresa que oferece cartão de crédito e programa de pontos para startups e que o colocou, junto de seu sócio Pedro Franceschini, na lista de bilionários da Forbes em 2022. O jovem de 27 anos saiu da relação em 2023.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DUBUGRAS

Informamos que o Sr. Henrique Dubugras já prestou os devidos esclarecimentos à Autoridade Policial do 7º Distrito Policial de São Paulo por meio de seus advogados, não havendo necessidade de comparecimento pessoal.

Os esclarecimentos prestados e comprovados à Autoridade, dentre outros, por documentos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo, demonstram que o suposto fato apontado por terceiro reclamante não tem nenhuma relação com o Sr. Henrique.

O fato sob investigação é muito posterior ao momento da sua saída do quadro de diretores de empresa mencionada na investigação e da sua mudança para o exterior. Inclusive, o terceiro reclamante nunca citou o nome do Sr. Henrique nem o associou a alguma prática ilícita.