Informe revela abusos na agência da ONU para refugiados palestinos

Informe revela abusos na agência da ONU para refugiados palestinos

Um relatório interno da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) revela má gestão e abusos de autoridade que teriam sido cometidos no mais alto nível hierárquico, em plena crise financeira do organismo.

Entre as acusações, estão as de “comportamentos de caráter sexual inapropriados, nepotismo, represálias, discriminação e outros abusos de autoridade, [cometidos] com fins pessoais, para conter diferenças legítimas de opinião”, aponta o informe, ao qual a AFP teve acesso.

O documento descreve acusações “confiáveis e corroboradas” de graves abusos éticos, envolvendo membros da cúpula da instituição, como seu chefe, o comissário-geral Pierre Krahenbuhl.

Investigadores da ONU estão examinando essas denúncias de irregularidades apontadas no informe do Departamento Ético da UNRWA.

A agência disse cooperar plenamente com a investigação e que não poderia comentar as acusações enquanto o processo está em curso.

O relatório foi enviado para o secretário-geral das Nações Unidas em dezembro. Investigadores da ONU foram enviados para os escritórios da UNRWA em Jerusalém e em Amã para reunir informações, segundo fontes próximas ao caso.

Um alto funcionário citado no informe abandonou a organização, devido a “comportamentos inapropriados” relacionados com as investigações, enquanto outro se demitiu por razões “pessoais”, relatou a organização.

Interrogada pela AFP, a UNRWA declarou em um comunicado que esta é, provavelmente, “uma das agências da ONU mais supervisionadas, devido à natureza do conflito” entre israelenses e palestinos.

“Nos últimos 18 meses, a UNRWA enfrentou uma pressão financeira e política intensa”, declarou.

Em uma nota enviada à AFP, Pierre Krahenbuhl declarou que “se a investigação – uma vez concluída – apresentar conclusões que precisem de medidas corretivas, ou outras medidas de gestão, não hesitaremos em aplicá-las”.

Fundada em 1949, a UNRWA administra escolas e oferece assistência médica a milhões de refugiados palestinos na Jordânia, no Líbano, na Síria e nos Territórios Palestinos.