Poucos países proporcionam cenários tão favoráveis ao marketing de influência quanto o Brasil. Dados levantados por um estudo publicado pela Nielsen e a YouPix apontam o Brasil como o campeão mundial em número de influenciadores digitais, na categoria Instagram, onde circulam 10,5 milhões de contas, com pelo menos mil seguidores cada um, em média. O Brasil só perde para os Estados Unidos, com 13,5 milhões de “influencers”. Enquanto o número de usuários nas mídias sociais não para de crescer, a chamada ‘creator economy’ (ou economia dos criadores) atrai cada vez mais interessados em produzir conteúdo e influenciar audiências na Internet. Segundo o estudo, o investimento das marcas no marketing de influência cresceu 75% entre 2017 e 2023.

Grandes agências de publicidade e as maiores empresas do País já criaram departamentos específicos para lidar com os influenciadores:
93,75% dos profissionais do mercado publicitário consideram que trabalhar com influenciadores traz um resultado que nenhum outro tipo de comunicação digital pode trazer.
Em multinacionais, 82,9% dos profissionais pretendem manter ou aumentar o investimento feito no ano anterior.
Já nas empresas menores de até 50 funcionários, esse percentual sobe para impressionantes 90,5%.

Para se ter ideia do tamanho desse mercado, só no Brasil são mais de 150 milhões de brasileiros ativos na Internet, que passam em média 2 horas e 48 minutos por dia conectados em plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e Facebook, conforme revelado pela plataforma de pesquisa Statista.

Influenciadores brasileiros devem movimentar R$ 105 bilhões este ano
Murilo Oliveira, CEO da IWM Agency: “Enquanto houver redes sociais no mundo, vão existir influenciadores. As redes sociais não vão acabar jamais, vão apenas mudar de acordo com a tendência” (Crédito:Divulgação )

Mas, 30,3% dos profissionais afirma que a baixa profissionalização do mercado os impedem de investir mais no marketing de influência. Um total de 86% dos anunciantes da base de clientes da Nielsen ainda considera um desafio encontrar o influenciador certo para seu negócio.

“Quando comecei na atividade, em 2010, tínhamos o ‘blogueiro’ que só falava de moda, que só ia a lugares chiques, andava de avião e morava numa mansão”, diz Murilo Oliveira, CEO da IWM Agency, uma das primeiras agências brasileiras a se especializar em marketing de influência. “Hoje, ser influenciador é uma profissão, que tem evoluído e é uma carreira como qualquer outra. Tem que acordar cedo, ter rotina de trabalho, ver qual seu ponto forte, estudar seus concorrentes, preparar um cardápio atraente, saber que tipo de comida vai oferecer, dar atenção aos internautas”, ressalta Oliveira.

10,5 milhões milhões de influenciadores usam o Instagram no Brasil

O cenário da influência digital testemunha um crescimento sem precedentes no Brasil, onde milhões de criadores de conteúdo emergem como protagonistas na transformação das estratégias de marketing. Segundo estimativas da Statista, o setor deve movimentar mais de US$ 21 bilhões (R$ 105 bilhões) até o final deste ano.

“O valor que um influenciador recebe depende de muitos fatores, como a quantidade de seguidores, o nicho que ele trabalha, total de views/impressões e o tamanho da contratação, que pode ser tão simples quanto um único story, quanto um ano inteiro, envolvendo diversos formatos e redes sociais”, explica Rodrigo Azevedo, CEO da Influency.me.

Em pesquisa recente realizada por essa empresa, considerando todos os 700 mil influenciadores no Brasil, a média de ganhos de um influenciador, por mês, pode ser de apenas R$ 500, isso porque a grande maioria ainda é formada pelos micros influenciadores (68,17%). Já os influenciadores famosos ocupam a menor fatia do mercado (apenas 0,05%). “Influenciadores com até 100 mil seguidores representam 86% de todos os influenciadores no Brasil”, afirma Azevedo.

79% dos brasileiros consumiram produtos digitais em 2023

Investimento

Campanhas de influência, conteúdo patrocinado, desafios virais e promoções personalizadas são algumas das táticas que têm demonstrado sucesso na criação de conexões duradouras com o público. O conteúdo, quando adequado ao que o algoritmo entrega, e ao o que esse público está consumindo na rede, torna as campanhas ainda mais eficientes para as marcas.

“Os influencers ajudam muito no posicionamento de marca, branding e desejo pelo produto. Hoje nossa rede de influencers traz um resultado muito significativo de vendas mensais”, relata Uana Amorim, especialista em gestão de negócios e fundadora da marca de relógios Saint Germain.

De acordo com o relatório de impacto no Brasil, do YouTube, desenvolvido pela Oxford Economics, a plataforma em 2022 contribuiu com mais de R$ 4,55 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e ajudou a gerar mais de 140 mil empregos equivalentes a tempo integral.

“Com o aumento do investimento em marketing de influência, há uma demanda crescente por transparência e métricas de desempenho claras. Isso significa uma evolução nas formas de medir o retorno sobre o investimento”, explica a professora Eliane Pereira Brito, especialista em estratégia de marketing da FGV.