Influencer de confeitaria transforma panetone de R$ 6 mil no novo ‘queridinho’ da web

Entenda como o produto explodiu nas redes sociais e virou objeto de desejo dos internautas

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Denilson Lima. Foto: Divulgação.

O fenômeno gastronômico mais comentado das redes sociais neste fim de ano não vem de uma maison italiana nem de um laboratório secreto da Dolce & Gabbana. Ele nasce das mãos de um confeiteiro brasileiro que virou sensação no Instagram. Denilson Lima, à frente do perfil @denilsonlimaatelier, conquistou uma legião de admiradores e se tornou um dos influenciadores mais reconhecidos do universo da confeitaria de luxo. Seus panetones, que chegam a custar quase R$ 6 mil, circulam hoje como objetos de desejo raríssimos e altamente instagramáveis, disputados por seguidores que buscam mais do que sabor: querem uma peça capaz de simbolizar status, exclusividade e poder.

No centro desse furor está a narrativa visual criada por Denilson, que transformou o tradicional panetone em algo próximo a uma obra de arte colecionável. Suas caixas exuberantes, com detalhes dourados que evocam realeza, coroas e referências ao sagrado, ajudaram a posicionar o doce como um item que transcende a confeitaria e se aproxima do universo da joalheria e das edições limitadas. Nas redes, o impacto é imediato. Cada publicação recebe comentários de fãs fascinados com a estética opulenta, enquanto vídeos de unboxing são tratados quase como rituais de iniciação.

Segundo o estrategista de branding Alê Vazz, baseado em Londres e especializado em marcas de alto valor, Denilson domina códigos imagéticos muito presentes no mercado de luxo. Ela explica que a construção simbólica por trás dos panetones opera em três arquétipos clássicos: o Governante, que comunica autoridade e poder; o Criador, que eleva o produto a obra única; e o Mago, que transforma ingredientes comuns em experiências quase místicas. A embalagem deixa de ser funcional e se torna cenário para um pequeno rito, amplificado pelo imaginário digital.

O efeito dessa combinação é claro no comportamento do consumidor. Ter um panetone de R$ 6 mil significa, para muitos, não apenas consumir um doce, mas participar de um clube restrito, capaz de acessar aquilo que quase ninguém tem. A compra vira símbolo. E é justamente essa narrativa que alimenta o sucesso estrondoso de Denilson nas redes, onde seus posts viralizam e despertam a curiosidade de quem enxerga no produto um marcador social de pertencimento.

A raridade também tem papel central no desejo. As unidades são limitadas e anunciadas com discrição, reforçando a sensação de escassez que move o imaginário do luxo. Em vez de listas de espera intermináveis ou pré-vendas elaboradas, o que impera é o jogo silencioso da exclusividade, no qual a oportunidade aparece para poucos e desaparece rapidamente. Nas redes, isso se traduz em seguidores atentos, que transformam cada aparição de novos modelos em evento.

O caso de Denilson mostra que o futuro do luxo brasileiro pode estar menos nas grandes corporações e mais em criadores capazes de dominar narrativa, estética e comunidade digital. Ele não é apenas um confeiteiro talentoso, mas um influenciador que entendeu que, nas redes sociais, o desejo se constrói por camadas visuais, simbólicas e emocionais. É essa alquimia que transformou um panetone em um dos itens mais comentados da temporada e que talvez indique um novo caminho: o luxo feito por criadores locais, altamente autoral, carregado de história e pensado para viralizar.