Os preços dos alimentos voltaram a pressionar o orçamento dos brasileiros em outubro. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,32% no mês.
Embora o resultado tenha ficado abaixo dos 0,70% observados em setembro, o comportamento dos alimentos chama atenção. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,88%, enquanto os produtos consumidos dentro de casa ficaram, em média, 1,01% mais caros.
Entre os itens que contribuíram para o aumento estão tomate, cebola e batata-inglesa.
Por que os alimentos ficaram mais caros?
A variação de preços dos alimentos pode ser influenciada por fatores como condições climáticas, oferta agrícola, transporte e custos de distribuição.
No levantamento de outubro, o IBGE identificou aumentos relevantes em produtos presentes no consumo cotidiano das famílias.
Isso significa que, mesmo com uma desaceleração do índice geral de inflação, o consumidor pode continuar percebendo uma pressão significativa ao fazer compras no supermercado.
A situação costuma ser especialmente sensível para famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior de seus recursos à alimentação.
Energia elétrica apresentou queda
Em sentido contrário ao dos alimentos, a conta de luz ajudou a conter a inflação.
O grupo Habitação registrou recuo de 0,10% em outubro, após ter apresentado aumento de 2,07% em setembro.
A energia elétrica residencial caiu 0,89%, influenciada pela mudança da bandeira tarifária amarela para a verde.
Com a bandeira verde, deixa de ser cobrado o adicional tarifário previsto para períodos de condições menos favoráveis de geração de energia.
A redução contribuiu para compensar parcialmente os aumentos observados em outros grupos de consumo.
Inflação acumulada segue acima da meta central
Com o resultado de outubro, o IPCA-15 acumula alta de 4,15% em 2026 e de 4,62% nos últimos 12 meses.
A meta central de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O resultado da prévia, portanto, permanece acima do centro da meta.
O cenário também é acompanhado pelo mercado financeiro, que avalia a trajetória da inflação para estimar os próximos movimentos da taxa básica de juros.
O que muda para o consumidor?
O IPCA-15 mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços, mas a inflação sentida por cada família pode ser diferente.
Quem gasta proporcionalmente mais com alimentação, por exemplo, pode enfrentar aumentos superiores aos registrados no índice geral.
O resultado reforça a importância de acompanhar os preços de produtos básicos e o comportamento dos custos essenciais.
Para os próximos meses, a evolução da inflação dependerá de fatores como a oferta de alimentos, o câmbio, os preços da energia e a atividade econômica.
Da IstoÉ