A indústria brasileira voltou a registrar retração em setembro de 2026, aprofundando os sinais de desaceleração da atividade econômica. A produção nacional caiu 0,8% em relação a agosto, segundo dados divulgados na quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa a quarta queda registrada em cinco meses e reforça as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.
Entre maio e setembro, a atividade industrial acumulou perdas de 4,1%, praticamente anulando o crescimento de 4,2% observado nos quatro primeiros meses do ano.
Queda atinge a maior parte da indústria
A retração foi disseminada entre os segmentos pesquisados.
Das 25 atividades industriais analisadas, 17 apresentaram resultados negativos na passagem de agosto para setembro.
Entre as quatro grandes categorias econômicas, três registraram queda.
A produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos utilizados pelas empresas, recuou 1,9%.
Os bens de consumo semi e não duráveis apresentaram retração de 1,2%, enquanto os bens intermediários, utilizados na fabricação de outros produtos, caíram 0,7%.
Os bens de consumo duráveis foram a única categoria a crescer, com avanço de 0,7%.
Combustíveis e alimentos pressionam resultado
As maiores influências negativas vieram da fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja produção caiu 4,2%.
O setor de alimentos também registrou desempenho negativo, com retração de 1,7%.
Parte das perdas esteve relacionada à redução no processamento de cana-de-açúcar, que afetou a fabricação de açúcar e etanol.
O maior volume de chuvas em determinadas regiões prejudicou as operações industriais ligadas à matéria-prima.
Extração de petróleo e minério evita queda maior
Na direção contrária, as indústrias extrativas registraram crescimento de 1,7% em setembro.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da extração de petróleo bruto, gás natural e minério de ferro.
Apesar desse desempenho, a expansão do segmento não foi suficiente para compensar as perdas registradas em outras atividades.
Produção está abaixo do nível recorde
Na comparação com setembro de 2025, a indústria brasileira apresentou retração de 2,5%.
Foi a maior queda nessa base de comparação desde março de 2024.
O desempenho foi influenciado também pelo calendário, já que setembro deste ano teve um dia útil a menos do que o mesmo mês do ano passado.
Com o resultado, a produção industrial permanece 16,5% abaixo do nível recorde registrado em maio de 2011.
No acumulado de 12 meses, o crescimento é de apenas 0,2%.
Juros elevados ampliam desafios
A desaceleração ocorre em um ambiente de crédito caro e incertezas sobre a evolução da economia.
Taxas de juros elevadas podem reduzir a demanda por produtos financiados e dificultar investimentos das empresas em máquinas, equipamentos e expansão da produção.
Entretanto, os dados industriais também refletem fatores específicos de cada atividade, como condições climáticas, exportações e custos de produção.
O comportamento dos próximos meses será importante para avaliar se o setor conseguirá recuperar parte das perdas antes do encerramento de 2026.
Da IstoÉ