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Índios não entendem celibato, diz bispo no Sínodo Amazônico

CIDADE DO VATICANO, 09 OUT (ANSA) – O bispo emérito do Xingu, Erwin Kräutler, afirmou nesta quarta-feira (9) que a ordenação de homens casados como padres é a única alternativa para garantir a presença da Igreja Católica na Amazônia.   

Essa é uma das propostas mais polêmicas em discussão no Sínodo dos Bispos dedicado à maior floresta tropical do planeta e já provocou até acusações de heresia por parte do clero ultraconservador.   

“Digo com toda a sinceridade: não existe outra possibilidade, os povos indígenas não entendem o celibato. Quantas vezes, chegando em um vilarejo, me perguntaram onde estava minha esposa. Quando ouviam que eu não era casado, eles se enterneciam como se eu lhes desse pena e diziam ‘pobrezinho'”, contou Kräutler no Sínodo.   

A ideia em discussão na assembleia episcopal prevê a extensão do sacerdócio aos chamados “viri probati”, homens casados (preferivelmente indígenas), de fé comprovada e capazes de administrar espiritualmente uma comunidade de fiéis.   

“O povo indígena não consegue entender essa coisa, que o homem não seja casado, que não tenha uma mulher”, acrescentou o bispo emérito do Xingu. Segundo ele, milhares de comunidades na Amazônia recebem a Eucaristia apenas duas ou três vezes por ano devido à falta de padres.   

“Para a Igreja Católica, a Eucaristia está no centro, mas colocamos o celibato acima da Eucaristia”, acrescentou. Outra proposta em discussão no Sínodo é a criação de diaconisas que possam presidir cerimônias litúrgicas. “Dois terços dessas comunidades sem sacerdotes são coordenados por mulheres, então devemos pensar nisso”, disse Kräutler.   

O Sínodo da Amazônia vai até 27 de outubro e discute novas formas de evangelização de povos indígenas e a proteção do meio ambiente. (ANSA)