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Indignação na Itália com crise política em plena pandemia

Indignação na Itália com crise política em plena pandemia

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, fala com jornalistas durante sua coletiva de fim de ano, em Roma, 30 de dezembro de 2020 - POOL/AFP

O espanto e indignação reinavam nesta quinta-feira (14) na Itália após a crise política causada na véspera pela decisão de Matteo Renzi de retirar seu apoio à coalizão governada por Giuseppe Conte, enquanto o país luta com uma pandemia que já causou mais de 80.000 mortes.

Conte terá que apresentar sua renúncia ao presidente da República, Sergio Mattarella, conforme estabelecido pelas regras do sistema parlamentar, depois que o Italia Viva, partido do ex-primeiro-ministro Renzi, rompeu a coalizão ao obrigar suas duas ministras a renunciar na quarta-feira.

Uma decisão que Conte ainda não anunciou, já que também pode optar por comparecer no Parlamento para comunicar que perdeu a maioria para governar e se submeter a um voto de confiança, explicaram fontes políticas.

Se Conte renunciar, Mattarella deverá iniciar consultas para criar um novo executivo e evitar eleições antecipadas em meio à pandemia.

É, portanto, um momento muito delicado e complexo para o país, que gera muita incerteza, mas também reações mistas.


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Apesar de os italianos estarem acostumados com crises de governo e, portanto, com negociações e soluções criativas, a decisão de Renzi é “inexplicável” para muitos observadores, devido ao momento que o país atravessa, com uma média de 500 mortes por dia por coronavírus.

Para 73% dos italianos, Renzi age em prol de seus próprios interesses e não para o bem da nação, segundo pesquisa do jornal Il Corriere della Sera e do Canal 7 de televisão.

A Itália também acaba de inaugurar sua presidência do G20, estendeu o estado de emergência até 30 de abril para lidar com a terceira onda de covid-19 e deve decidir o destino dos mais de 209 bilhões de euros que receberá da União Europeia, o ‘novo plano Marshall’ para a reconstrução.

“Renzi critica Conte por falta de democracia na gestão da pandemia. Mas, é um exemplo de democracia que alguém que não representa nem 3% do país, desencadeie uma crise, confunda e desestabilize o país e acabe chantageando-o?”, questionou Licia, no programa de rádio “Tutta la cittá ne parla”, resumindo o sentimento de muitos italianos.

O vácuo de poder, a ideia de um governo fraco também preocupa personalidades importantes do país, entre elas o ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, cujo governo de centro-esquerda foi derrubado em 1998 por um único voto após a retirada do apoio de um partido minoritário, abrindo as portas para a ascensão do magnata das comunicações Silvio Berlusconi.

“Renzi quis romper a qualquer custo (…) agora Conte deve comparecer ao Parlamento e obter apoio de forma clara e transparente”, propôs Prodi em entrevista à televisão pública.

A pedido dos parlamentares, Conte deverá comparecer perante os deputados e senadores nas próximas horas ou dias e pode ter que se submeter a um voto de confiança.

– Negociações com os senadores –

“Tudo é possível na Itália. Um novo governo liderado por Conte ou sem Conte. Esse é o debate”, disse à AFP Aldo Garzia, jornalista veterano especializado em questões parlamentares.

Por enquanto, as maiores forças da coalizão no poder, o Movimento 5 Estrelas (antissistema) e o Partido Democrático (PD, centro-esquerda), assim como a Esquerda Livre e Igualitária (LEU), fecharam fileiras para defender Conte.

O chamado “advogado do povo”, que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2018 graças às suas habilidades de negociação, “está tomando seu tempo”, explicou o jornal Il Corriere della Sera.

Para alguns observadores, ele busca de 10 a 15 senadores independentes, do centro ou do grupo misto, os chamados “responsáveis”, dispostos a garantir a continuidade de seu governo, já que na Câmara dos Deputados é da maioria.

Uma opção viável, já que muitos deles deixariam o Parlamento para sempre em caso de eleições antecipadas devido à redução da próxima legislatura em número de parlamentares, de 945 para 600 (a Câmara dos Deputados terá 400 membros em vez dos 630 atuais e o Senado 200 em vez de 315).

Há também a opção de excluir totalmente Conte, com um novo chefe de governo das fileiras do PD ou, finalmente, eleições antecipadas, conforme solicitado por Matteo Salvini, da extrema direita, apesar das dificuldades devido à pandemia.

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