Indicação de socialista holandês trava nomeações na UE

BRUXELAS, 01 JUL (ANSA) – Após mais de 17 horas de reunião, os líderes dos Estados-membros da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo sobre os indicados para ocupar os principais cargos no bloco pelos próximos cinco anos.   

Devido ao impasse, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, decidiu suspender a reunião pouco depois do meio-dia desta segunda-feira (1º), pelo horário de Bruxelas, e convocar uma nova cúpula para as 11h desta terça (2).   

O impasse gira em torno do indicado para presidir a Comissão Europeia, o poderoso poder Executivo do bloco e que tem a prerrogativa de fiscalizar Estados-membros e negociar acordos internacionais.   

O cargo é ocupado atualmente pelo luxemburguês Jean-Claude Juncker, do Partido Popular Europeu (PPE), grupo político que tem a maior bancada no Parlamento da UE, mas que encolheu nas últimas eleições comunitárias, entre 23 e 26 de maio.   

Principal nome do PPE, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, propôs para o lugar de Juncker o primeiro-vice-presidente da Comissão Europeia, o holandês Franz Timmermans, do grupo de centro-esquerda Socialistas e Democratas (S&D).   

Em troca, o PPE ficaria com a presidência do Parlamento Europeu (com o alemão Manfred Weber) e com o cargo de alta representante para Política Externa e Segurança da UE (com a búlgara Kristalina Georgieva) – os dois postos estão hoje com os italianos Antonio Tajani e Federica Mogherini.   

Já o cargo de Tusk no Conselho Europeu iria para o primeiro-ministro demissionário da Bélgica, Charles Michel, que representa a ascendente ala liberal na UE e tem o apoio do presidente da França, Emmanuel Macron.   

Além de Merkel e Macron, o acordo também é patrocinado pela Espanha e pela Holanda, mas enfrenta resistência de cerca de 10 dos 28 Estados-membros, especialmente aqueles governados pela extrema direita, insatisfeitos com a ideia de um social-democrata no comando do “governo” da UE.   

“A Itália não está contra Timmermans, pessoa de valor e grande experiência, mas questiona o método das nomeações. A Itália não pode aceitar um pacote pré-constituído e nascido em outro lugar”, disse o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.   

O acordo foi costurado durante a cúpula do G20 em Osaka, na qual o próprio Conte estava presente, mas o ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini, figura mais poderosa do governo, já disse que a Itália não apoiará Timmermans, assim como nações do leste europeu.   

Parte do PPE também está insatisfeita com o acordo, já que o partido ficaria sem o cargo mais cobiçado na União Europeia, embora mantenha a maior bancada no Europarlamento.   

Não é preciso unanimidade entre os Estados-membros para fazer as nomeações – o próprio Juncker foi indicado contra a vontade do Reino Unido -, mas Merkel disse nesta segunda-feira que seria “muito difícil” aprovar alguém sem o apoio “de um país como a Itália” e de “todo o grupo Visegrád [que reúne Polônia, Eslováquia, Hungria e República Tcheca]”.   

“Isso poderia criar tensões”, declarou. A chanceler ainda acrescentou que é preciso alcançar o “maior consenso possível”.   

“Estou ciente de que estamos passando uma imagem ruim aos cidadãos, mas estamos comprometidos a encontrar um compromisso”, afirmou. (ANSA)