Mais de três milhões de funcionários serão mobilizados a partir de quarta-feira (1), durante mais de um ano, para o desenvolvimento do censo na Índia, o país mais populoso do mundo, com quase 1,5 bilhão de habitantes.
O crescimento da jovem população indiana, com idade média de 30 anos, é uma oportunidade para o desenvolvimento econômico, mas também um desafio em termos de acesso ao emprego, habitação, energia e educação.
Inicialmente previsto para 2021, o censo foi adiado por alguns anos devido à pandemia de covid.
O último censo do país, de 2011, mostrou uma população de 1,21 bilhão de pessoas.
Em 2023, a ONU anunciou uma estimativa de população de 1,42 bilhão de habitantes, o que deixou a Índia à frente da China na classificação mundial.
Organizar um censo em um território tão grande, apesar de totalmente digitalizado, é um grande desafio logístico. O procedimento acontecerá em várias etapas.
A primeira fase, que começa na quarta-feira, consiste em contabilizar a quantidade de moradias, estado por estado, por declaração espontânea em um aplicativo que pode ser baixado no smartphone ou por meio da visita presencial dos agentes às residências.
O censo propriamente dito de cada habitante começará em 1º de março de 2027 para a maior parte da população e a partir de 1º de outubro de 2026 nas regiões do Himalaia, antes da temporada de neve.
Uma particularidade desta edição é que o governo indiano pedirá aos habitantes que informem a que casta eles pertencem.
Muito enraizadas na tradição hindu, as castas ainda constituem um elemento importante da sociedade indiana moderna, dividida em categorias hierarquizadas que determinam o papel e o status de seus integrantes.
As divisões geram discriminações e desigualdades entre a população.
Mais de dois terços dos indianos são considerados pertencentes a castas inferiores, que podem ter acesso a políticas de ação afirmativa, em particular no serviço público e na educação.
O último censo das castas foi realizado em 1931, sob o império britânico, 16 anos antes da independência da Índia.
As autoridades indianas evitaram, desde então, organizar um censo de castas ou publicar estimativas sobre o tema, alegando a complexidade administrativa da operação ou medo de desencadear distúrbios no país.
O Ministério do Interior calculou o custo do censo em 1,24 bilhão de dólares (6,5 bilhões de reais).
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