Índia ordena que redes sociais excluam críticas ao governo

NOVA DELI, 27 ABR (ANSA) – A Índia ordenou nesta segunda-feira (26) que as redes sociais – Twitter, Facebook e Instagram – bloqueiem publicações que fazem críticas à resposta do governo ao aumento do número de casos de Covid-19. A determinação revoltou a população, que acusou o governo indiano de censura. De acordo com a BBC, citando um porta-voz das plataformas digitais, a decisão de bloquear alguns conteúdos foi tomada após as redes receberem um “pedido válido de acordo com a lei”.   

O Lumen, um banco de dados que coleta medidas governamentais sobre conteúdo online em todo o mundo, revelou que o governo de Nova Déli emitiu uma ordem de emergência para censurar alguns tuites.   

Até o momento, o Twitter não especificou quais publicações foram excluídas, mas a imprensa local informou que um deles é de um político de Bengala Ocidental acusando o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, de estar ligado diretamente às mortes causadas pelo coronavírus.   

Ontem (25), o governo indiano alegou a utilização indevida das plataformas por alguns usuários “para divulgar informações falsas ou enganosas” ou “criar ódio ao incitar paixões religiosas”.   

Além disso, os internautas foram acusados de criarem pânico sobre a nova onda de Covid-19 registrada no país “ao usar imagens não relacionadas, antigas e fora de contexto, postagens sensíveis e desinformação sobre os protocolos contra o novo coronavírus”.   

Um funcionário do Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação da Índia disse ao jornal “The Hindu” que era “necessário tomar medidas contra aqueles que estão abusando das redes sociais para fins antiéticos”.   

A Índia enfrenta uma segunda onda da emergência sanitária e contabiliza recorde no número de casos diários há cerca de cinco dias seguidos, com 525 mil novas infecções confirmadas em 24 horas. (ANSA)