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Primeiras tendências apontam vitória esmagadora de Modi na Índia

Primeiras tendências apontam vitória esmagadora de Modi na Índia

Funcionário eleitoral indiano exibe urna eletrônica para apuração em Ghaziabad, em 23 de maio de 2019. - AFP

As primeiras tendências da apuração das gigantescas eleições legislativas indianas apontam nesta quinta-feira uma grande vitória do primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e de seu partido Bharatiya Janata (BJP).

Após duas horas e meias de apuração dos quase 600 milhões de votos, o partido BJP de Modi estava na liderança em 283 circunscrições, de um total de 545, o que representaria o mesmo número de cadeiras no Parlamento.

Se a vitória for confirmada nestas circunscrições, Modi conseguiria nove cadeiras a mais que as 272 que precisava para dispor de maioria absoluta e uma a mais que o resultado de 2014, quando pela primeira vez em 30 anos um partido indiano conquistou a maioria absoluta.

A maior força de oposição, o Partido do Congresso de Rahul Gandhi, liderava em 51 circunscrições.

Os resultados dariam ao BJP e seus aliados a maioria consistente de 330 deputados.

Ao menos 67% dos 900 milhões de eleitores indianos foram às urnas entre 11 de abril e 19 de maio, e os nacionalistas hindus de Narendra Modi esperam permanecer no poder por mais cinco anos.

As eleições transcorreram durante seis semanas e quebraram todos os recordes em termos de volume e complexidade, a um custo aproximado de 7 bilhões de dólares.

As eleições bateram todos os recordes em termos de tamanho e complexidade. A logística do processo custou aproximadamente 7 bilhões de dólares e todos os votos devem ser contados em apenas um dia.

A campanha se tornou um plebiscito sobre um dos primeiros-ministros mais populares e polêmicos da história da Índia.

A oposição concentrou seus ataques na gestão econômica de Modi e em sua incapacidade de gerar empregos.

O líder de 68 anos, que participou de dezenas de comícios em todo o país para animar sua base hindu, transformou a campanha em um debate sobre a segurança nacional após o atrito com o Paquistão em março.

Em 2014, Modi e seu conservador partido Bharatiya Janata (BJP) chegaram ao poder com 282 das 545 cadeiras do Parlamento.

Rahul Gandhi, 48, do Partido do Congresso e que pretende ser o quarto integrante da família Gandhi-Nehru a dirigir a Índia, foi um duro adversário do atual premier.

As notícias falsas e imagens manipuladas abundaram durante a campanha, como as que mostravam Gandhi e Modi almoçando com Imran Khan, o primeiro-ministro do Paquistão.

Houve também mortes. Os rebeldes maoistas que se opõem ao Estado indiano mataram 15 soldados e seu motorista no estado de Maharashtra, no oeste do país, em 1º de maio.

Confrontos ocorreram no estado-chave de Bengala Ocidental, onde o BJP esperava compensar a perda de apoio em Uttar Pradesh, o estado mais populoso.

Gandhi tentou atacar Modi em várias frentes, especialmente em um suposto caso de corrupção em um acordo de defesa com a França e nas dificuldades dos agricultores e da economia.

Ambos trocaram insultos diariamente: Modi chamou Gandhi de “burro”, que por sua vez acusou o primeiro-ministro de ser “ladrão”.

O governo de Modi não conseguiu criar empregos suficientes para os milhões de indianos que entram no mercado de trabalho a cada mês e a chocante e inesperada proibição de dinheiro em espécie em 2016 causou enormes problemas para as famílias.

Os linchamentos de muçulmanos e de membros da casta Dalit por comer carne, sacrificar gado e comercializar com lucro aumentaram durante o mandato de Modi, fazendo com que parte dos 170 milhões de muçulmanos do país se sentissem ameaçados e ansiosos sobre seu futuro.