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Índia avança em reformas para atrair investidores

SÃO PAULO, 14 DEZ (ANSA) – Potência nuclear e segundo país mais populoso do planeta, a Índia tem implantado uma série de medidas para fortalecer sua economia e atrair investidores. Em entrevista à ANSA, o diretor da Italian Trade Agency na nação asiática, Francesco Pensabene, afirmou que empresas italianas veem cada vez mais o mercado indiano como destino ideal para suas exportações.   

Um dos pilares da ofensiva de Nova Délhi em busca de recursos estrangeiros é o combate à corrupção, um dos problemas que ainda desestimulam investidores a apostarem no país. Recentemente, o governo retirou de circulação as notas de 500 e 1 mil rúpias para enfrentar a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal, em uma decisão que gerou tumulto e correria aos bancos indianos.   

Além disso, a Índia assinou tratados fiscais com cerca de 140 países e implantou o Aadhaar, maior sistema de cadastro biométrico do planeta e que hoje já cobre mais de 70% da população adulta, segundo um estudo do banco britânico Barclays.   

Um dos objetivos desse cartão é evitar fraudes nos benefícios pagos pelo governo.   

No âmbito fiscal, a Índia unificou impostos sobre bens e serviços em julho de 2017. Para atrair investimentos de longo prazo, flexibilizou os limites e regulações para entrada de recursos do exterior, beneficiando setores cruciais para o desenvolvimento do país, como de aviação, portos, petróleo e gás, automotivo e ferroviário.   

No relatório do Barclays, a Índia aparece em terceiro lugar entre as nações com melhor perspectiva para investimentos estrangeiros até 2019, atrás de Estados Unidos e China. O Brasil está na sexta posição, separado dos indianos por Indonésia e Tailândia.   

O governo também tem incentivado investimentos em fontes de energia renováveis e criou a “Missão de Cidades Inteligentes”, que aplicará US$ 1,3 trilhão nos próximos 20 anos para preparar as metrópoles da Índia para abrigar as milhões de pessoas que migram de áreas rurais todos os anos – em 2050, mais de 840 milhões de habitantes viverão em zonas urbanas no país.   

O programa de reformas indiano ainda inclui iniciativas para aumentar o acesso digital da população, tornar o país um polo global de manufatura, inovação e design e melhorar a inclusão financeira, em uma nação onde boa parte das pessoas vive à margem do sistema bancário. O Banco Central do país também adotou metas de inflação e criou um comitê de política monetária, nos moldes do existente no Brasil.   

“Em 2016, fomos o quinto maior parceiro da Índia na União Europeia e o 23º no mundo, com um intercâmbio pouco superior a 7,5 bilhões de euros. Os primeiros 10 meses de 2017 confirmaram essa tendência e marcam um aumento nas exportações de quase 9%”, disse Pensabene à ANSA.