Incompetência a toda prova

Crédito: BRAZILIAN PRESIDENCY/AFP/Arquivos

O presidente americano, Donald Trump, e o brasileiro, Jair Bolsonaro, durante jantar em Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, em 7 de março de 2020 (Crédito: BRAZILIAN PRESIDENCY/AFP/Arquivos)

A ansiedade com uma possível vitória do democrata Joe Biden na disputa pela presidência dos Estados Unidos levou a maluquice no Palácio do Planalto a níveis lisérgicos. Vide o texto sobre o pleito americano publicado nas redes sociais de Jair Bolsonaro na manhã de hoje. 

Seria interessante saber quem redigiu a mensagem. O anti-chanceler Ernesto Araújo? Eduardo Bolsonaro, o filho com ambições diplomáticas? O assessor especial da presidência para questões americanas, Filipe Martins? Todos juntos? Talvez Bolsonaro tenha dado ao texto aquele tom perturbado dos que sofrem de insônia. 

A ruindade do português na mensagem só perde para a ruindade das ideias. Ou melhor: é exagero falar em ideias. Trata-se de um amálgama sem pé nem cabeça de insinuações e teorias conspiratórias sobre a interferência de potências estrangeiras no Brasil e na América do Sul, com o propósito de tomar conta da Amazônia e devolver o poder no continente a partidos de esquerda. Biden, de alguma forma não explicada, faria parte desse complô. 

É curioso notar como a mensagem chega perto de denunciar as pretensões imperialistas dos Estados Unidos, como se fosse escrita por um diplomata petista. O Itamaraty bolsonarista tem sua própria besta-fera, o tal globalismo, mas hoje tomou de empréstimo a idiotice de esquerda. 

Acontece que o petismo, se era idiota no discurso, era esperto na prática. Seus lances de política externa podiam não ser bons para o Brasil, mas sempre eram bons para o partido. Ao passo que a mensagem de Bolsonaro não o ajuda de maneira nenhuma. 

Se Trump ganhar, as coisas vão continuar como já estão. O americano não vai pressionar Bolsonaro no trato do meio ambiente. Mas vai continuar sobretaxando produtos brasileiros e demandando condições favoráveis de comércio sempre que achar necessário. A “relação especial” que Bolsonaro julga ter com Trump jamais se traduziu em vantagens para o país, nem vai se traduzir. “America first”. 

Se Biden ganhar, o desaforo de hoje será uma pedra a mais no caminho para que boas relações se estabeleçam entre o novo mandatário americano e presidente brasileiro (que antes, rompendo com toda a prudência, já havia divulgado sua torcia por Trump). Seria melhor manter o bico fechado. 

Alguém vai dizer que a mensagem era só para animar a plateia bolsonarista. Sério mesmo? Arriscar um prejuízo tão grande em troca de um benefício tão pequeno? 

Não é que eu não goste quando Bolsonaro tropeça nos próprios pés. Eu gosto. Mas a total incompetência continua a espantar. 

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