Incógnitas eleitorais

À medida que nos aproximamos das eleições de 2022, alguns pontos vão se tornando mais claros. Uma definição importante recente foi a decisão do ex-juiz Sergio Moro de se filiar ao Podemos. Com isso, ele confirma sua disposição para concorrer ao Palácio do Planalto no próximo ano. Outras questões permanecerão em aberto por algum tempo. Uma delas diz respeito à capacidade do presidente Jair Bolsonaro de recuperar parte da popularidade perdida. O índice que considera sua administração “ruim” ou “péssima” supera a casa dos 60%. É um percentual alto para quem busca a reeleição. Essa recuperação dependerá, em grande parte, da economia. O comportamento da inflação, o desemprego, os preços dos combustíveis influenciarão a avaliação do governo como um todo.

Outro aspecto que pode ser significativo é a escolha do vice do ex-presidente Lula (PT). Em 2002, Lula fez um revelador aceno ao setor empresarial quando escolheu para o posto o empresário José de Alencar, o que ajudou a reduzir sua rejeição junto ao establishment. Neste momento, Lula busca atrair o eleitor de centro. O nome do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin tem sido cogitado como uma possibilidade. Outros nomes aventados foram o de Henrique Meirelles e o de Luiza Trajano, que já declarou não pretender entrar na política. Como o vice de Lula, o vice de Jair Bolsonaro será um fator que poderá ter influência na corrida sucessória. Lula admitiu que seu vice pode ser alguém do Nordeste (região onde ele apresenta melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto) ou de Minas Gerais (segundo maior colégio eleitoral do País). Ainda há chance de ser Hamilton Mourão, mas a probabilidade é cada dia mais baixa.

A grande dúvida, porém, é se a terceira via conseguirá superar Lula e/ou Bolsonaro a ponto de garantir uma vaga em um quase certo segundo turno

O apoio de partidos que integram o chamado centrão também é incerto e pode pesar na corrida sucessória. Em 2018, o apoio do bloco, muito associado à Operação Lava-Jato, foi considerado extremamente negativo para Alckmin, que obteve menos de 5% dos votos válidos. A tendência é de que a maior parte do Centrão (PL, PP e Republicanos) apoie Bolsonaro. Mas ainda não há clareza sobre a intensidade desse apoio. Vale ressaltar a viabilidade de uma terceira via. Moro, depois de sua filiação ao Podemos, atingiu em torno de 12% das intenções de voto, de acordo com trackings disponíveis. A grande dúvida, porém, é se a terceira via conseguirá superar Lula e/ou Bolsonaro a ponto de garantir uma vaga em um quase certo segundo turno. O tumultuado processo de escolha do candidato presidencial do PSDB gera uma grande incerteza sobre o grau de unidade do partido em 2022, o que pode, pela sexta vez, resultar em mais uma derrota para a legenda no plano federal.


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