A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou uma investigação para apurar as circunstâncias de um incidente aéreo que colocou dois aviões de passageiros a apenas 22 metros de distância um do outro, na manhã desta quinta-feira, 30, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A ocorrência envolveu um avião da Azul em procedimento de decolagem e um da Gol que se aproximava para pouso, culminando com a torre de controle do aeroporto determinando a arremetida da aeronave da Gol após não conseguir contato com o voo da Azul.
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O que aconteceu
- Um grave incidente aéreo em Congonhas colocou dois aviões de passageiros a apenas 22 metros de distância, acionando protocolos de segurança.
- A aeronave da Azul Linhas Aéreas demorou a responder às instruções da torre de controle durante a decolagem, enquanto um Boeing da Gol Linhas Aéreas se aproximava para pouso.
- A torre de controle agiu rapidamente, ordenando que o avião da Gol arremetesse, evitando uma colisão e demonstrando a eficácia das camadas de segurança aérea.
A ocorrência aeronáutica envolveu um Embraer 195-E2 da Azul Linhas Aéreas, com destino a Belo Horizonte (MG), e um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas, que fazia o voo G31629 procedente de Salvador (BA) e se aproximava para o pouso no Aeroporto de Congonhas.
A FAB analisará imagens e relatórios detalhados para determinar se houve uma “perda de separação”, termo técnico utilizado quando duas aeronaves se encontram a uma distância inferior à mínima estabelecida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado pela FAB e já iniciou a ação inicial da ocorrência. Esta etapa fundamental inclui a coleta e validação de dados, a preservação rigorosa de evidências e o levantamento de todas as informações necessárias para subsidiar a investigação.
Conforme os protocolos do Decea, a separação vertical mínima entre aeronaves em voo é, na maioria dos casos, de 1.000 pés (equivalente a 300 metros). Contudo, este valor pode ser ajustado em função das dimensões específicas das aeronaves envolvidas.
A proximidade entre os dois aviões foi registrada por dados do Flightradar24, serviço global de rastreamento de voos em tempo real, e corroborada por vídeos capturados por passageiros a bordo.
A tensão na torre de controle
Imagens divulgadas pelo canal “Golf Oscar Romeo”, no YouTube, revelam a comunicação tensa entre o controlador de voo e os pilotos. Os registros indicam que a aeronave da Azul demorou a iniciar sua corrida de decolagem no momento em que o avião da Gol já se aproximava para o pouso. Seguindo o protocolo, o controlador determinou o aborto da decolagem para o voo da Azul, mas não obteve resposta da tripulação, que prosseguiu com o processo de subida.
Diante da ausência de resposta e da continuidade da decolagem do voo da Azul, o controlador solicitou que o avião da Gol procedesse à arremetida, manobra que consiste em ganhar altura para realizar uma nova e segura tentativa de pouso. Simultaneamente, a torre instruiu a tripulação da Azul a realizar uma curva à direita para manter-se a 1.500 pés (aproximadamente 450 metros).
Qual a análise do especialista em aviação?
Para o especialista em aviação Lito Sousa, a intervenção do controlador de voo foi crucial para evitar um incidente de proporções mais graves. “Não houve perda de consciência situacional do controlador de voo em nenhum momento”, declarou Sousa em sua página no Instagram. Ele complementou que a tripulação da Azul tardou em atender à determinação da torre, e por isso o controlador agiu para abortar a decolagem.
Sousa enfatizou que a segurança na aviação é garantida por múltiplas camadas redundantes, onde a falha de uma é compensada pela atuação de outras. No caso de Congonhas, a primeira camada, que envolvia a comunicação com a tripulação da Azul, falhou. Entretanto, outras três camadas de segurança — a comunicação entre a torre e a tripulação da Gol, e o provável acionamento dos dispositivos de anticolisão de ambas as aeronaves — funcionaram eficazmente.
O especialista concluiu que, embora a separação entre as aeronaves tenha sido significativamente menor do que o previsto para operações de pouso e decolagem, “nada aconteceu” devido ao funcionamento adequado das camadas de proteção. Ele ressaltou a importância da investigação do episódio para compreender todos os fatores contribuintes e aprimorar continuamente os processos de segurança aérea.
O que as companhias aéreas informam?
A Azul Linhas Aéreas informou que o voo AD6408 (Congonhas-Confins), ocorrido na quinta-feira, seguiu os procedimentos operacionais estabelecidos para a decolagem no aeroporto paulistano. A companhia reiterou que a segurança é seu valor primordial e que suas operações são conduzidas conforme protocolos e regulamentações vigentes. A Azul declarou estar “à disposição para colaborar com o Cenipa – Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que está apurando o ocorrido”.
A Gol Linhas Aéreas, por sua vez, esclareceu que o pouso do voo G3 1629 em Congonhas, no dia 30, transcorreu em segurança e dentro do horário programado. A empresa reforçou que todas as ações relativas ao voo foram pautadas na segurança, considerada seu valor número um. A Gol destacou sua colaboração integral com o Cenipa na apuração do fato.
Da IstoÉ.