Comportamento

Incerteza em Belo Monte

Documento aponta risco de erosão caso a vazão do rio Xingu seja afetada por secas rigorosas, como as cinco registradas desde 1971. A Norte Energia nega o problema

Crédito: Divulgação

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, foi idealizada para solucionar os problemas sazonais de oferta de energia no Brasil, compensando a época do ano em que os reservatórios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão prejudicados pela estação seca. Só que um aparente erro no projeto surgiu um mês antes de ser autorizado o início da operação comercial da última das 18 turbinas principais da usina.

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Um documento assinado pelo diretor-presidente da concessionária Norte Energia, Paulo Roberto Ribeiro Pinto, em 11 de outubro, pediu à presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Christianne Dias Ferreira, autorização para uma “ação urgente para controle do nível do Reservatório Xingu” diante de severas estiagens, como a atual. O documento, divulgado pelo site El País, afirma que a usina hidrelétrica precisa manter uma vazão acima do mínimo de 700 metros cúbicos por segundo para abastecer a Volta Grande do Xingu, trecho onde o rio foi desviado. As populações ribeirinhas e indígenas daquela área sofrem com o encolhimento do rio, o que afetou a pesca, o meio ambiente e o abastecimento. Com a redução do fluxo, tudo ficaria pior.

Vazão reduzida

Para evitar o problema, a Norte Energia quer reduzir a vazão no reservatório artificial, que dá direto nas turbinas principais, para permitir que a Volta Grande receba água suficiente. A ideia é razoável, só que o documento também cita um risco à integridade da barragem do Pimental, caso o nível do reservatório caia abaixo de 95,2 metros. A partir daí, o talude da barragem deixa de contar com a proteção de rochas, ficando sujeito à erosão. O documento afirma: “pode resultar em danos estruturais à principal barragem do rio Xingu, que é Pimental”. Em nota, a Norte Energia negou os riscos, afirmando que mudanças na vazão estão previstas nas manobras de operação do reservatório. Até pode ser, mas ao custo de R$ 40 bilhões, os projetistas e operadores de Belo Monte deveriam ter sido mais cautelosos.

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