Ao menos 16 pessoas morreram no sul do país e 50 mil foram evacuados. Presidente chileno Gabriel Boric declarou "estado de catástrofe".Ao menos 16 pessoas morreram em decorrência de diversos incêndios florestais que atingem o sul do Chile, informou neste domingo (18/01) o ministro chileno da Segurança Pública, Luis Cordero. Outras 50 mil precisaram ser evacuadas.
"São pessoas que foram encontradas no local do avanço do incêndio", indicou Cordero. Segundo ele, quase 90 alertas de emergência foram disparados aos moradores da região somente na madrugada deste domingo. Quase 4 mil bombeiros atuam no combate às chamas.
Uma das áreas mais afetadas pelos incêndiosque começaram no sábado é o município de Penco, na região de Biobío, cerca de 500 quilômetros ao sul da capital. No local, as chamas avançam também sobre a área urbana.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, declarou Estado de Catástrofe nas zonas afetadas. Ele viajará até o local para "tomar conhecimento direto da situação com o objetivo de reforçar as medidas que, até o momento, foram adotadas", informou o ministro do Interior, Álvaro Elizalde. O mandatário também suspendeu sua agenda prevista para segunda-feira.
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, afirmou em uma mensagem no X que "neste momento crítico da emergência não há espaço para a política".
"Hoje o foco deve ser combater os incêndios, auxiliar as pessoas afetadas e apoiar as autoridades para enfrentar esta emergência", acrescentou Kast, que assumirá o cargo em março e anunciará seu gabinete ainda nesta semana.
Por sua vez, Sergio Giacaman, governador da região de Biobío, onde morreram 15 das vítimas, equiparou a catástrofe ao terremoto que devastou o sul do país em 2010 e deixou centenas de mortos.
O diretor regional da Corporación Nacional Forestal (Conaf) de Biobío, Esteban Krause, confirmou que o incêndio florestal que afeta a área de Penco já queimou cerca de 5 mil hectares queimados.
Em Ñuble, o último relatório enviado pela Conaf registra um total de nove incêndios, que consumiram mais de 4 mil hectares.
Condições adversas pioram chamas
Desde a noite de sábado, as condições climáticas têm sido adversas para enfrentar os incêndios. Além das altas temperaturas, o fenômeno conhecido como "vento Puelche", um vento seco e quente que sopra da Cordilheira dos Andes em direção aos vales e à costa, complicou o combate às chamas, pois aumenta a temperatura e reduz a umidade.
"São condições muito adversas que enfrentamos", lamentou neste domingo a diretora do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), Alicia Cebrián.
Devido à sua topografia abrupta, suas extensas florestas e seu clima, o Chile costuma enfrentar incêndios florestais, mas sua frequência e intensidade aumentaram a partir de 2010.
A crise climática, a seca que dura mais de uma década e a expansão da chamada "interface urbano-rural" (zonas onde vegetação e construções se misturam) contribuíram para isso, de acordo com especialistas.
O grande ponto de inflexão foram os incêndios de 2017, que consumiram quase 600 mil hectares na zona centro-sul, nas regiões de O'Higgins, Maule e Biobío, e obrigaram a modificar a escala usada para medir os incêndios. No entanto, a maior tragédia relacionada ao fogo no Chile ocorreu em fevereiro de 2024, na região de Valparaíso, quando as chamas causaram a morte de 136 pessoas.
gq (EFE, AFP, DW)