Incêndios no Amazonas aumentam 271% e governo envia força-tarefa

Estado registrou 1.380 focos de fogo nos primeiros dez dias de outubro; operação terá aviões da FAB, brigadistas federais e reforço de São Paulo

Imagem arquivos IstoÉ
Foto: Imagem arquivos IstoÉ

O governo federal mobilizou uma força-tarefa para intensificar o combate aos incêndios florestais no Amazonas, após o estado registrar um aumento de 271% nos focos de fogo nos dez primeiros dias de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre 1º e 10 de outubro, foram identificados 1.380 focos de incêndio no estado, contra 372 no mesmo intervalo de 2025. Os números são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

A operação prevê o envio de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), além do reforço de outras aeronaves e equipes de combate ao fogo.

O governo de São Paulo também anunciou o deslocamento de 30 profissionais para apoiar as ações no Amazonas.

Governo reconhece emergência em 36 municípios

Neste sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, em 36 municípios.

O reconhecimento federal é uma etapa necessária para viabilizar a liberação de recursos destinados às ações emergenciais de enfrentamento aos incêndios e de assistência às populações atingidas.

A decisão ocorreu em meio à intensificação das queimadas e ao agravamento dos impactos da fumaça sobre diferentes regiões do estado.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, chegou ao Amazonas no sábado para acompanhar a mobilização da força-tarefa.

Durante a visita, afirmou que o governo federal disponibilizará equipamentos, veículos, pessoal e recursos necessários para ampliar a resposta à crise.

Aviões KC-390 reforçarão combate aos incêndios

Dois aviões KC-390 da FAB foram mobilizados para reforçar as operações de combate aos incêndios florestais.

As aeronaves estavam em deslocamento, com chegada prevista a Manaus neste domingo (11) e início das operações programado para segunda-feira (12).

Além dos KC-390, a mobilização inclui quatro aeronaves Air Tractor e dois helicópteros.

Segundo o governo federal, 290 brigadistas federais já atuam no Amazonas, em diferentes frentes de combate ao fogo.

A ampliação da estrutura aérea e terrestre busca melhorar a capacidade de resposta das equipes, especialmente em áreas de difícil acesso.

O emprego das aeronaves dependerá das condições operacionais e das necessidades identificadas pelas equipes responsáveis pelas ações em campo.

São Paulo envia bombeiros e agentes da Defesa Civil

O governo paulista também anunciou o envio de 30 profissionais para apoiar o enfrentamento às queimadas no Amazonas.

A equipe é composta por 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil de São Paulo.

O embarque estava previsto para as 13h deste domingo (11), acompanhado de equipamentos e insumos destinados às operações.

Os profissionais deverão atuar em cooperação com as equipes locais e federais, contribuindo para o combate aos incêndios e para a proteção da população, do patrimônio e do meio ambiente.

A iniciativa faz parte de uma articulação entre os estados para ampliar a capacidade de resposta à emergência ambiental.

Amazonas recebeu recursos para reforçar bombeiros

Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas por meio do projeto ProAmazon, destinado ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar.

Desse montante, R$ 34,7 milhões já foram liberados ao estado, enquanto aproximadamente R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização.

Os recursos podem ser empregados na aquisição de viaturas, equipamentos de proteção e segurança e na estruturação de bases operacionais.

De acordo com registros do MIDR, o Amazonas recebeu R$ 372.065.406,32 nos últimos três anos para ações relacionadas a desastres.

O valor inclui iniciativas de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais, não se restringindo ao combate aos incêndios florestais.

Maioria dos focos foi registrada em áreas públicas

O levantamento do Censipam aponta que a maior parte dos focos de incêndio registrados entre 1º e 10 de outubro ocorreu em áreas públicas.

Confira a distribuição dos 1.380 registros conforme a situação fundiária:

Situação fundiáriaFocos registrados
Áreas públicas1.186
Propriedades privadas93
Áreas sem situação definida101
Total1.380

O levantamento também identificou 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.

Essas categorias representam recortes específicos das áreas afetadas e não devem ser somadas aos totais por situação fundiária, pois podem se sobrepor a eles.

Entre todos os registros, 174 foram classificados como relacionados ao desmatamento.

Para os demais focos, os dados consultados não apresentavam uma causa identificada.

Fumaça agrava situação em Manaus e outras regiões

Além da destruição ambiental provocada pelo fogo, a fumaça das queimadas tem afetado a qualidade do ar em diferentes regiões do Amazonas.

Manaus registrou níveis graves de poluição atmosférica associados à presença de fumaça, aumentando a preocupação com os efeitos sobre a saúde da população.

O governador Roberto Cidade afirmou que parte da fumaça que atinge o estado também tem origem em incêndios registrados em outras unidades da Federação.

A declaração ocorreu após uma reunião emergencial na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), com representantes dos governos federal e estadual.

O encontro teve como objetivo coordenar as operações de combate ao fogo e definir medidas para reduzir os impactos das queimadas.

Para este domingo (11), estava previsto um sobrevoo do ministro Waldez Góes sobre áreas atingidas, seguido de entrevista coletiva para apresentar as ações em andamento.

Com o aumento expressivo dos focos de incêndio, a atuação conjunta dos governos federal e estadual será fundamental para ampliar a resposta à emergência e proteger as comunidades afetadas.

Da IstoÉ