Em Cartaz

Incendiário aos 50 anos

O FIT-Rio Preto comemora meio século com 34 espetáculos que apostam em diversos tipos de ousadia

Crédito: Divulgação

IRÃ Mona Ahmadi vive uma menina presa em um dormitório no drama “Escuta”, de Amir Reza Koohestani: simbolismo (Crédito: Divulgação)

Em 1969, quatro fãs de arte e cultura fundaram um festival de teatro em São José do Rio Preto, a 441 quilômetros de São Paulo. Eles talvez não imaginassem que o FIT–Rio Preto se tornasse o evento mais antigo e influente do gênero no Brasil. “O FIT virou referência mundial pela qualidade das peças e pela quantidade de atrações”, diz o curador Alexandre dal Farra. De 920 obras inscritas, ele e equipe escolheram 34 peças que ocupam os equipamentos culturais da cidade, num total de 60 récitas.

“Não impusemos um tema”, diz Farra. “Vimos uma tendência na variedade de estéticas: o caráter explosivo das montagens. Elas refletem o momento político do mundo.” Entre as atrações internacionais, destaca-se o drama “Escuta”, do grupo Mehr, com texto e direção de Amir Reza Koohestani. A peça conta a história de uma menina presa em um dormitório escolar, onde sente a presença de um homem — metáfora do fundamentalista iraniano. “Há peças brasileiras surpreendentes, nas quais a cultura da periferia sabe ser poética, crítica e brutal”, diz Farra.

Se o FIT era moderado nos primeiros anos, virou atrevido aos 50. Em 20 locais em São José do Rio Preto (SP), até 13/7.

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