O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, reconheceu nesta segunda-feira, 2, que o início deste ano foi marcado por uma pressão mais firme de inadimplência no País, mas ponderou que o período costuma ter uma sazonalidade desfavorável. Durante painel do evento RUMOS, o executivo afirmou não ver na carteira do banco dinâmicas particularmente mais preocupantes do que as observadas em anos anteriores.
“Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a normalizar”, explicou.
Maluhy ressaltou ainda que o Brasil tem registrado um aumento da massa salarial, mas acompanhado de um maior comprometimento da renda. Para ele, é importante conter a inflação, que representa o pior imposto para as classes mais baixas. “A transferência de renda perde efetividade se a inflação não estiver controlada”, comentou, acrescentando que o nível atual de comprometimento de renda “não é sustentável”.
O executivo também reconheceu os avanços do mercado de capitais brasileiros, que abre espaço no balanço de bancos para oferecer crédito a empresas. No entanto, defendeu reformas fiscais estruturantes para assegurar o contínuo crescimento. “Deixar de lado a despesa da dívida é ignorar uma conta gigantesca que tem que ser paga todos os anos”, comentou. “O fiscal e o social precisam andar de mãos dadas. Se o fiscal não for bem feito, você não consegue ter um social sustentável”, destacou.